Chegou o Vento feroz,
traz com ele as danças das folhas caídas e do lixo.
Árvores curvam-se em gemidos sibilados com os seus longos cabelos a tocar o chão, violentamente empurradas de encontro ao chão, perfis sublinhados. A coluna vertebral a quebrar. Dores agonizantes a que se habituaram desde há muito. Lá se vão safando, agitando os braços, inquietas, em desespero mudo de voz.
O lixo vem de todas as partes e vicios,
dividido em partes incertas, sem pertencer a alguém por certo.
Chega brincalhão a varrer a poeira da estrada, dos passeios, os pés dos homens e das árvores. É a pequena multidão de saltimbancos que vai de porta em porta furtivamente, ganhando vida ao som do teclar de um cravo numa melodia repetitiva, enlouquecedora. Carrocel de cores e desperdicios.
Os objectos inanimados querem voar,
A mão segura o chapéu seguro na cabeça, a senhora resguarda o vestido para se resguardar, as bandeiras querem fugir de país em país, um Cristo petrificado em frente da Igreja quer voltar a ressuscitar, bicicletas põem-se nervosas porque na China os Chineses lhes dão com os pés. Insurge-se um descontentamento inanimado. Por todo o lado. Onde o vento chega. Pelo ar.
O Joaquim cigano já tirou as meias da venda,
Queríam andar sem nada lá dentro, queríam voar sem ninguém pagar 1.50€ por elas.
Lá voava o dinheiro.
Lá voa a tenda do Joaquim cigano e da sua familia se não espeta uma estaca mesmo no coração da terra. Tem que ser mesmo no centro, a tapar o buraco por onde sai o vento. Acorrem todos os ciganos de mãos a segurar nos chapéus.
Algazarra tremenda. O que o vento desfaz o homem remenda.
As pregas das calças sacodem-se a querer caminhar mais do que as pernas.
Aves atrasadas nos seus voos dão camabalhotas no espaço, esticando as asas como podem para evitar um qualquer acidente de grandes dimensões. Se chocam contra grandes engenhos fazem do azar um incidente. O boletim informativo não soube ser mais claro, despenham-se estátuas e pirâmides no Cairo.
Estado de sitio. Agitam-se os militares nas suas casernas.
Na Madeira um grupo de Turistas Belgas sofreu um atentado por um grupo de bananas,
Dizem que os frutos se revoltaram, e que o fruto da paixão já não tem o mesmo sabor.
Mais, dizem que as bananeiras se curvaram todas na mesma direcção e empurram agora a ilha para outras águas. Sindicalizaram-se e há quem suspeite que se dirijam para Cuba, onde o Vento sucumbe aos longos discursos de Castro.
A família Simões está revoltada,
Foi obrigada a desmarcar as suas férias ao arquipélago do tio Imperador João.
A culpa é dos sindicatos e do Comunismo. A culpa é toda do Comunismo. Espalha-se o terror na praça. Espalha-se por quem passa. E agora quem devolve o dinheiro das reservas? Ouvem-se marchas de botas rudes com pensos higiénicos a forrar a sola dos pés. Querem tornar a guerra mais suave com pensos higiénicos.
O pai, Antunes, não gosta cá de comunismos. A terra tem de ser bem lavrada.
Onde é que isto vai parar?
O Lixo voa em gargalhadas mobilizando a sublevação. Levanta-se a guerra, voa sobre a revolução. Armas rodopiam ferozes disparando sobre Bananas, cortando rasantes as bananeiras empurradas pelo sindicato. As aves já se mudam para o Oceano Pacífico. Dispara-se sobre tudo o que o vento sacode. Caem as primeiras chuvas em forma de lágrimas.
Finalmente, felizmente, tudo pára quando Joaquim Cigano espeta a estaca no coração da Terra, e o vento deixa de soprar Feroz.
Sussura-se pelos escombros uma paz incerta.
Se não fosse a mão do cigano...
sexta-feira, outubro 08, 2004
Estórias de Desenhos Inanimados
Publicada por Artur à(s) 1:10 p.m. 1 comentários
quarta-feira, outubro 06, 2004
Festa
Rosto maquilhado de cores sensoriais que brilham sob efeitos relativos à intensidade dos sons circundantes da sala. Um animal empunhando um punhal estriado, rasga o ventre de um jovem sacrificado para aguçar os prazeres dos Deuses. Recolhem-se as tripas que se queimam nos jarrões de votos aos Homenageados, e espalha-se vinho novo pelas paredes, assim como pelo soalho coberto de mosaicos indiscretos, erguem-se cânticos repetidos como ladaínhas e o quadro apocaliptico e profano da Humanidade mistura-se a pinceladas no quadro do pintor de mangas sujas de tinta, o que quer retratar as epocas das Odes e dos frágeis trapos Dionisianos. O artista de sapatos rotos esfrega o nariz avermelhado pelo frio, feroz invasor que entra pelas frechas do estuque apodrecido das paredes da casa velha, mais se diria as entranhas de um verme morto a secar ao tempo. Sobre a mesa estão pinceis gastos, aparas, e um depósito de beatas que tem como futuro o reaproveitamento, renascerão das cinzas como um novo cigarro, phoenix cancerigena que voltará uma vez mais a arder. Duas maças engelhadas, uma naco de pão endurecido como a vida, e um sibinho de carne seca. É tudo quanto lhe resta. Já perdeu a conta ao que vendeu. Vendeu o que não sabia que tinha venda possivel. Por dois tostôes. Pode ser que os troquem por euros- Foi o que pensou. E agora ali está ele a tentar pintar. Decidiu mudar de profissão assim que viu o conjunto de tintas e pinceis espalhados junto a um caixote de lixo. Pareceu-lhe, no momento da descoberta, que pela forma como incidia a luz, o brilho matizado dos objectos, jurou tratar-se de um milagre. A fome tem destas coisas. Torna-nos crentes, fieis absolutos, devotos inabaláveis. O poeta decidiu então pintar. Sempre era melhor do que ir para a estiva ou para a veda. Sabia que as suas mãos não iriam aguentar. Não nasceu forte e gordo como o irmão. Esse é capaz de levantar um carro com as próprias mãos, e capaz de levar comida para casa. Mas também- pensa logo de seguida- apenas isso: comida.
A longa mesa repleta de iguarias decoradas por penas brilhantes de aves raras, tem sobre si carne humana desnudada, contorcendo-se estes corpos como que dilacerados por uma vontade de unhas e saliva lançada por gestos desenfreados, como que contidos desde o nascimento da volupia. Derramando vinho e comida por todos os lados. Vinho e comida. Vinho e comida.
E assim morreu o poeta numa cave esquecida, construída num livro urbano, vetado à fome e à sede, morreu o poeta pintor, com os pinceis espetados nos dedos, as mangas sujas de tinta, a casa vazia, e duas maças apodrecidas sobre um manuscrito
INACABADO
O Triunfo da Morte
H.Bosh
Publicada por Artur à(s) 9:34 p.m. 1 comentários
domingo, setembro 26, 2004
A grande manada de mamiferos bipedes
O mundo dos homens é uma animalada incapaz de assumir os seus hábitos predatórios. Estende-se ao canibalismo social, uma nova formula de comer o outro sem parecer muito mal. Reveste-se da mais sedutora estética, oficiosa cura para os olhos. "Olhos que vêem, coração que não sente", presuma-se pois o inverso. Desta forma se ornamenta a besta. Disfarça o seu cheiro. Vai comprando a abosolvição da sua conquista com simbolos que se tornam de poder, adereços de composição da condição de caçador.
Chega-se ao ponto de disfarçar a bestialidade e de acusar outras espécies de serem mais animalescas do que nós, reclamando para a humanidade um estado de pureza e elevação entre a natureza. Sobressaindo a inteligência politica inerente, e o instinto da sobrevalorização da imagem.
Subterfúgios rácicos estes, que apontam a criminalidade natural para outros companheiros de espécie. Envergonho-me por cair em automatismos assimilados por excesso e recorrer a criticas tão formalizadas como as que já fiz. Faz-se de uma raça uma opinião, um "gosto" divergente.
Somos animais em busca de sobrevivência assumida num meio social, na caverna artificial construída ao som dos tambores do recambolesco, elaborada por nós próprios. Resta-nos a elegia de sermos inventivos, mas vejam bem que bestas somos. Pensem bem se não tomaram uma iniciativa que esmagasse outro individuo. Claro, é tudo uma questão de sobrevivência. E referia-me apenas aos canibalismos. Pois quantos de nós não tiveram um cão ou um gato?!
E viva à supremacia sobre os fracos. Leiam Nietzche para aprofundar algumas possibilidades.
Publicada por Artur à(s) 8:29 p.m. 0 comentários
Não poeta
Nunca serei poeta enquanto fôr feliz
E eu sempre soube ser feliz
Ou pelo menos sei onde me reencontrar
Publicada por Artur à(s) 8:29 p.m. 0 comentários
Adivinha
Dormem sobre linhas de pautas os meus sonhos, espero encontrar-me neles comigo, comigo, e contigo.
Espreito segredos por entre as casas dos botões, arregalando os olhos incrédulo ao ver o peixe de luz a descansar nas águas de vidro transparente, vidro inofensivo, dimensão onde as palavras não doem, as ausências não cortam, e o silêncio se propaga docemente acalmando as linguas de espirito irrequieto e quebradiço.
Escondo pensamentos insurreitos nas concavidades das árvores. Afasto-me para que sosseguem apesar de pedirem a minha voz. Aguardo o fim do calor, o calor do fim do Verão, que abrasa o pasto rasteiro das dúvidas para que por fim possa recolher com a concha das mãos a frescura dos melhores momentos.E bebo-te! Somente para ganhar forças, unicamente porque quero resistir a Tudo o que me quer debaixo da terra. Quero merecer as dores que corroem, elaboradas por estratégias cognitivas, empiricas caminhadas no meio do lodo!
Quero afagar-te em mim, em mim, contigo. Entrego-te a minha árvore dos segredos, deixo a tinta das palavras que ficam sempre por dizer á sombra de considerações maturadas para que nunca seque, e parto de punho fechado como se nele pudesse esconder do mundo as minhas recordações, as vergonhosas imperfeições, contraído, com toda a força, feito só, morto sem vida. Do que é feito Só, morto, sem vida?
Publicada por Artur à(s) 8:29 p.m. 0 comentários
domingo, setembro 12, 2004
Uma pequena Ideia
A luz do final de tarde é tão doce! Parece subir-me aos ouvidos, oferecendo silêncio, indo deslizar liquidamente, sem qualquer urgência, pelo meu âmago. Se anjos houver, eu sou um desses seres alados ao fundir-me dentro do meu corpo com o horizonte de cores macias. Inspiro calmamente a brisa, dou ordem de comando, os membros voltam a mobilizar-se, e continuo a caminhada, retorno à humana condição de quem vai tentar apanhar a nova Noite emergente. Contudo, quer me parecer que este momento de lusco-fusco se revela na realidade a instância de movimento. Está presente na imagem de um quadro com duas imagens alternadas, uma escondida, outra delas exposta. Um quadro de crianças, que ao rodar do botão faz do dia, noite, e da noite, dia. As transições essas sim são movimento. A rodar portanto. Mesmo quando fecho os olhos e paro. Desta forma em movimento. Ao rodar do botão.
Publicada por Artur à(s) 8:38 p.m. 0 comentários
Para ti criança
Sobre a condição que é ser adulto
Arrisco a dizer que se trata somente da liberdade de poder desobedecer.
Liberta a criança que há em ti, abraça-a, e quando quiseres ser grande:
DESOBEDECE
Publicada por Artur à(s) 8:32 p.m. 1 comentários
Testemunho de um momento de espera
Passavam na rua por mim, as horas. Estava cansado da espera.
Imaginei que me sentava num banco de jardim, imagem construída mentalmente como ideal mais generoso ao meu desejado sossego, fosse este o local apropriado para poder esperar o tempo que me esperasse, esperar.
Sentei os cotovelos sobre os joelhos dobrados a sobressair do banco de ripas de madeira encarnadas. O corpo, não vendo o momento desta sinuosa demora terminar, pois nem mesmo de olhos escancarados a alcançava , pôs-se a fugir entre as fendas do assento. Devagar, num movimento lento, como dor a escorrer em derrames elásticos, matigados, a rebentar até à extensão máxima da sua própria explosão, lá se escapulia. Esta matéria, como que às fatias, ameaçava escoar-se pelo banco procurando tocar o chão, arriscando o contagio de uma qualquer doença. Cedo aprendemos que não devemos lamber o solo por onde caminhamos: "o chão é imundo". Em verdade, não conheço ninguém que tenha lambido tal superficie. Logo, ninguém me poderá dizer que sabor tem.
Com esta dúvida fiquei ali pendurado a cogitar qual seria o eventual sabor a chão. Não me poderia ter ocorrido algo mais conveniente a mascarar o desespero daquela espera.
Publicada por Artur à(s) 4:07 p.m. 1 comentários
sexta-feira, setembro 10, 2004
Purismo
O estado de frenesim sempre presente nas veias dos olhos a gemer como madeira seca , apertada por cordas estranguladoras, constrictoras, de um moinho ermo
com os pulsos a gemer, atados, amarrados em peso, violentados pela força que deixa marcas profundas, as do tem de ser, criminosa realidade. Caio, desfeito num estertor, ausentando-me da vida para ganhar dureza de esteio na morte, precedendo em fúria recrudescente o inchar asfixiante dos pulmões até o ar se tornar dor, e solto-me na raiva muda de não saber dizer, de não saber dar o incomensurável existente em mim. Este trono enfraquece-me, a coroa dobra-me o corpo de mendigo, rendilhado de feridas, pustulas da alma, envergonho-me da minha condição. Modelo de mãos frementes esboçando do nada, materializações palpáveis permeabilzantes, portões giganstescos sem fechadura, para que não percas tempo à procura de chaves, expectante, a arrepiar o momento rompante de entradas rebentadas impulsivamente e cordas rasgadas sem cuidados, onde me encontrarás postrado de manto de doçura tua a agasalhar-me a pele nua, engelhado na minha pequenez da felicidade pela comoção de te rever, e te oferecerei as paredes do meu reino indiscrítivel, o mesmo que erigi no ardor das razões impronunciáveis
Publicada por Artur à(s) 8:16 p.m. 0 comentários
sexta-feira, setembro 03, 2004
As respostas de Dona Dor
(balada ao jeito de Coimbra)
Pergunto à flor
Se viu na terra outras mãos desastradas
Ter tudo dá-lhes guerra só sabem ter nada
Responde a dor: Pobre de mim
Pergunto à flor
Se viu no chão outra voz triste caída
Que ri ao ouvir Não e esconde o rosto à vida
Responde a dor: Pobre de mim
Grito-te ó Rosa: Vê bem!
Nunca se viu ninguém que soubesse dar
O amor que nos rebenta
Desespera quem o tenta
Responde a Dor: Pobre de ti
Publicada por Artur à(s) 9:57 p.m. 1 comentários
terça-feira, agosto 31, 2004
Pequeno Aviso
Deixei-me de palavras construídas e frases escolhidas no fiel da balança.
Eu vivo! Agora tudo me faz sentido, tudo tem outro sentido, e é sempre mais.
Estou-me a borrifar para quem pensa! Em boa verdade, estou-me a cagar para quem pensa
quando quer pensar por mim. Tenho dito! Estou-me a cagar para quem quer pensar!
Tudo de repente tem sabor e côr, tudo. Os meus ouvidos, revelo-vos que ouvem hoje muito mais do que ouviam antes. Digo-vos que há mais sons. Digo-vos que há menos palavras mas mais "coisas" para retratar. O mundo redobrou de tamanho, cresceu, levedou, estravasou a forma com que me untaram.
Digo-vos que anda por aí muito mais, digo-vos que tudo tem pernas.
Venham passar a noite comigo
Venham ver
Publicada por Artur à(s) 1:16 a.m. 0 comentários
segunda-feira, agosto 30, 2004
Por debaixo de Hoje
Sob as estrelas
Hoje deito-me com as estrelas.
Vou dormir no espaço, enrolado nos panos de poeira astral
Serei filho do cosmos sem gravidade, sem peso, a abraçar a Terra
Vou brilhar entre as constelações, de olhos fechados
Vou prender os meus dedos nas rugas dos brilhos de prata
Hoje deito-me num quebrar de ossos.
Da metamorfose da minha pele, restará apenas, nada mais que pó
Do casulo sairá um Homem Espacial, o que conhece o Mistério
Certo no seu sorriso, com um grito a correr os céus
Um conjunto de feixes luminosos, de cores variadas, longos, infinitos.
Hoje deito-me sem sangue.
Nas minhas veias correrá o ego que engolirei, sem ruído
O que era braço levantar-se-á, o que era mão fará um desenho
Suavemente, Misteriosamente, no meio do turbilhão do Caos
Estrelas, Planetas, serão recriados no centro do Universo.
Hoje deito-me onde sou.
A boca que era, o que dizia, o corpo que fui, o que fazia nunca foi especial
O que dedo que era dedo apontará para cima, para o que era sem limites
Tocando, a deslizar, as caudas dos cometas
Incontroláveis, perderão o seu sentido
Ficarei a vê-los rebentar em palcos Cósmicos
De onde nascerão estrelas Vulcânicas
A brilhar sobre cenários de lava encandescente, de veludo.
Quando Hoje é apenas um instante em que me deito,
Amo o que está por debaixo das estrelas! Os pequenos diamantes
As memórias cinematográficas, matinées das horas tardias
Os pequenos assuntos, a partida da porta de casa para a escola primária
O espectáculo, as luzes, os sons, as pipocas feitas na panela da cozinha
Os bilhetes guardados, rasgados, rasurados
Um piano
Os pianos debaixo das estrelas. A martelar notas.
Os eléctricos debaixo das estrelas.
As cidades debaixo das estrelas.
As cidades debaixo das cidades, debaixo das estrelas.
Quando Hoje me deito entre os homens,
Visto o meu fato de terra, homem espacial
Frágil, vulnerável debaixo delas.
Tenho luvas para apertos de mãos, cabelos para quando não sei respostas
Estou equipado com dois pulmões que me permitem respirar na atmosfera,
Sou novo demais para escolher e entrego-me ao suicidio da sorte
Não estou só! Caminho reconhecidamente num estilo próprio
E ardem-me os olhos se olho de frente o Sol
Sei sentir a falta de Sal, e denuncio o que é agoniantemente Doce
Sei amar e sofrer, simultaneamente
Sei acreditar no que não vejo, no que não consigo descrever
Sei seguir entre pedras, árvores, perder-me nas estradas
DasestrelasDasestrelasDasestrelas
Aprendi a linguagem antes incompreensivel
No meu fato terrestre, tão longe de casa,
Aprendi a querer ficar onde Sou
Mais uma vez, sob as estrelas
Publicada por Artur à(s) 8:03 p.m. 4 comentários
sexta-feira, agosto 27, 2004
A génese de um blogue
Sem procurar universalizar, definir, deixo uma pequena achega sobre a curioso motivação que nos leva a escrever um blogue.
Passo a citar Thomas Moore (" A emoção de viver a cada dia"). No que ele denomina de "Linguagem líquida": " Algumas receitas mágicas pedem que se comam as palavras. Arnaldo Villanova, no início do século XIV, descreve uma práctica exorcista na qual as palavras iniciais do Evangelho de São João são mergulhadas num líquido, por vezes água benta, e depois bebidas. A linguagem pode ser utilizada sem que passe pelos portais da mente e pelo intelecto interpretativo. Podemos ingerir palavras, torná-las parte de nós, sem necessáriamente compreendê-las...As nossas palavras precisam muitas vezes de liquefazer-se, pois tendem a tornar-se rígidas e quebradiças...Também a nossa linguagem diária poderia ser menos seca e mais líquida. A línguagem dos negócios, do governo e da lei está repleta de palavras rígidas, quebradiças, indigeríveis, cujo valor advém apenas de um dicionário ou das intenções manipulativas dos seus utilizadores...". Então Thomas Moore sugere a razão porque devemos Liquefazer as nossas palavras, que pela anterior descrição me parece capaz de ser representativa do que fazemos nos blogues, reforçando ainda mais esta opinião com o seguinte: "...O propósito deste estádio não é chegar a um lugar em que particular, alcansar um entendimento ou obter uma conclusão, mas simplesmente liquefazer as nossas perguntas, suposições e intenções. Discutir, conversar, fazer um diário, rascunhar, caminhar meditando (e tudo isto me parece decorrer num blogue)- estas são apenas algumas das prácticas que qualquer pessoa pode incorporar no quotidiano e que oferecem uma solução aquosa, na qual os nossos problemas podem diluir-se e dissolver-se em pedaços manejáveis. A mgai deste método não está nas conclusões lógicas a que podemos chegar, mas no desenvolvimentos menos conscientes que surgem do falar, do caminhar e do sentar. Alguns minutos encantados de conversa sincera podem ter mais efeito do que muitas horas de análise."
Publicada por Artur à(s) 3:48 p.m. 0 comentários
"O silêncio é de ouro"
Estou preocupado!
Não sei se a oposição anda a dormir ou se é reflexo das férias de verão, mas os media não têm levantado grandes polémicas ao tão temido mandato Santanista, ou Satãnista. Pouco se te ouvido pelas ruas. O burburinho acalmou à beira mar. Nem a subida do petróleo trouxe de novo o semblante apreensivo aos rostos dos Portugueses e todos seguem o seu caminho de chinelos e bermudas.
O desemprego continua a aumentar, mesmo para os licenciados, num país que diz necessitar de mão de obra especializada. E contudo, parece que a crise também se muniu de uma toalha colorida para se ir espraiar na areia.
Talvez as decisões de Satã não tenham sido de cariz profundo, possivelmente a sua acção não terá sido tão activa que mereça oposição, podendo inclusive chegar-se à conclusão que o homem desta vez acertou, a julgar pela suavidade das criticas. Ou então, os media estão todos de férias, nas mesmas estâncias que a oposição, a jogar à bola e a atirar areia para cima da tolha da Crise. Já vão longe os tempos das batalhas campais na Assembleia da República, o que me agrada, mas é de desconfiar. Por isso me interrogo. Desconfio sempre destes nossos politicos, independentemente da cor. Socorrem-se de ideais com os quais não são coerentes, usando-os como bandeiras propagandisticas, sobre os quais tenderam a especializar-se na sua deturpação. Uma mera diferença entre a vida real e o que deveria ser, o que é suposto ser, a Utopia das leis, no país da leis que todos sabem como não as cumprir, devotado ao esquecimento do humanismo para o enaltecimento da raça através da retórica. Ainda há muitas diferenças no País que não foram de férias.
Publicada por Artur à(s) 3:11 p.m. 1 comentários
quarta-feira, agosto 25, 2004
Marcha Lenta
Vai de Roda
Que esta Dança
Os braços não cansa
E não vai parar
Entrem nelas
Barrigudos
Homens narigudos
Feios de chorar
Entra
Pelo o mundo a fora
Que a dança demora
Ainda está a crescer
Rodopiam
Sobre desventuras
Amarguras
Que já ninguém quer
Marcha Lenta Quem Aguenta
Olhem que a sorte rebenta
Que esta marcha já cansa
Façam da Marcha uma dança
Vai de roda
Que esta moda
Não tem nome
É de gosto popular
Entrem nelas
Os bigodes
Das mulheres dos pobres
E as fadas do lar
Entra
Pelo o mundo a fora
Que a dança demora
Ainda está a crescer
Não
Há calos que resistam
Mesmo que insistam
Eles não vão vencer
Marcha Lenta Quem Aguenta
Olhem que a sorte rebenta
Que esta marcha já cansa
Façam da Marcha uma dança
Publicada por Artur à(s) 7:44 p.m. 0 comentários
terça-feira, agosto 24, 2004
Amarelo
Preferêncialmente Trigo, como a capinha doirada no Alentejo. Cadeiras de palhinha, os meus post it, Miró, no verde, Bananas, Luz, velas, Ska, yogourtes de baunilha, nesperas, bolas de praia, areia, energia, velocidade, os dias em que consigo cumprir tudo que idealizei, cabelos, os dedos queimados do tabaco de enrolar, os sorrisos, o queijo, maças, juventude, é quente e fresco simultaneamente, o amarelo.
Reparo que como muito amarelo, não sendo das minhas cores favoritas.
Publicada por Artur à(s) 11:48 a.m. 0 comentários
segunda-feira, agosto 23, 2004
domingo, agosto 22, 2004
Vermelho Magenta
De braços cruzados entre os reflexos de vidro e metais brilhantes, ardem as pontas dos cigarros a suspirar fumo intoxicante sobre os panos de cores Africanas. Os espelhos Tunisinos, talhados em doirados e madeira de Oliveira, reflectem os lábios vermelhos a sorver cerveja preta, Belga, nos bancos altos de metal banhado a negro, plástico, com os velho Franceses de cabelos branquinhos a falarem das pinturas rupestres do amarelo oiro dos desertos do Sahara, do verde do Afeganistão, dos olhos castanhos dos Senegaleses curiosos e matreiros. Soa a "alabama song" cantada pela Catherine Sauvage, a emprestar do meu cd um pouco de ambiência de cabaré, enrolando os fumos, as vozes, os copos a tilintar, os cubos de gelo a cair, a entrelaçar todos os sons e imagens com os eRRes arrastados da Catherrrrine. "oui je te Jurrrre....". Quase que estam por lá bailarinas de folhos brancos, pernas traçadas, botins reluzentes, sinais colados no canto da cara, carrapitos ondulados, boquilhas acesas. Os homens dos suspensórios e calças cinzentas a tocarem de sapatos de couro, brancos-negros.
Debruço-me mais uma vez, de braços repousando sobre o bar de madeira Vermelho Magenta, ouvindo o meu "Piano Negro", envolto nos meus pensamentos, a velar a noite, morcego que veio exorcizar o seu sudário nas franjas do imaginário...Magenta.
"Arthur, vai un bicadinho de Bourboun?"- sorriso meio malandro, meio envergonahdo - "só un Fondô". E brinda-se aos desertos, às Vidas. Porque dizia o George: " A Vida é dure!"
Saudades Magenta....
Delirante Magenta...
Publicada por Artur à(s) 6:43 p.m. 2 comentários
sábado, agosto 21, 2004
Azul
É tudo o que eu sou.
É tudo o que eu quero ser.
Publicada por Artur à(s) 10:31 p.m. 0 comentários
Cor-de-rosa
Cor sem dor, sem razão, sem mostrar ser o que seja.
Senhoras feitas para receber os convivas dos maridos sempre penteados e barbeados, impecaveis. Nem a roupa ganha vincos se for cor-de-rosa. Insípida. Entediante. Lembra-me salgados sem sal, doces a saber a plástico. São dias perfeitos demais para quem anda irritado com a vida. Não provoca nem se faz casta. Fica no meio de algo indefinivel. É a ditadura que veste as criancinhas.
Não gosto nada de cor-de-rosa.
Absolutamente! Não me agrada mesmo nada.
Publicada por Artur à(s) 3:39 p.m. 0 comentários
sexta-feira, agosto 20, 2004
Castanho
"Mire usted en el armario, hombre, a ver si encuentra un traje que no le valga, aunque sea marrón"
In "A Raia de Portugal. A fronteira do subdesenvolvimento"
Antonio Pintado
Eduardo Barrenechea
Sinónimo de pobreza, a não ser que fosse "castanho italiano", em mim o castanho tem cheiro e temperatura. Cheira-me a terra húmida entre os dedos, a cobrir-me a pele do calor terno e meigo, melancólico, doce. O castanho é macio!
É abrigo, como uma cavidade dentro de uma árvore, onde me escondo e os ruídos da noite deixam de me impressionar.É casco de Caravela a partir para o desconhecido com versos e astrolábios, a cortar ondas verdes em espuma branca. É o brilho dos olhos de quem amo. É mobilia que suporta os restos da minha vida, que guarda a parafernália de papeis e música. Castanho é quem se faz notar sem se mostrar. Fica um pouco antes do nocturno, assim como um final de tarde, quente, com uma leve brisa a soprar. Castanho é a madeira dos castanheiros, das castanhas, de corpos Africanos, das pinhas, do tabaco, do pelo de alguns bichos, das escamas de alguns peixes, de algumas rochas, de algumas pinturas, dos desperdicios da plaina, do cabo da faca, é a madeira de alguns dias.
Gosto de castanho! Fica-me bem, enriquece-me na minha pobreza.
Gosto mesmo de castanho!
Publicada por Artur à(s) 3:57 p.m. 0 comentários
terça-feira, agosto 17, 2004
Anís
Entre o polegar e o indicador faço bolinhas com macacos do nariz...
(Obrigado!)
Publicada por Artur à(s) 11:36 a.m. 0 comentários
sábado, agosto 14, 2004
Canção
Sally's Song Lyrics
I sense there's something in the wind
That feels like tragedy's at hand
And though I'd like to stand by him
Can't shake this feeling that I have
The worst is just around the bend
And does he notice my feelings for him?
And will he see how much he means to me?
I think it's not to be
What will become of my dear friend?
Where will his actions lead us then?
Although I'd like to join the crowd
In their enthusiastic cloud
Try as I may, it doesn't last
And will we ever end up together?no,
I think not, it's never to become
For I am not the one
Presente na banda sonora do filme "Nightmare before Christmas" (Tim Burton)
Fabulosa...
Publicada por Artur à(s) 8:44 p.m. 0 comentários
Citação...
Perpetuo lignis crescit crescentibus ignis
Publicada por Artur à(s) 8:26 p.m. 3 comentários
domingo, agosto 08, 2004
Não vou de partida
Como a bruma caminho cuidadosamente sem tocar no chão
Não quero deixar passos nem trilhos de lágrimas esquecidas.
Apago as marcas do meu corpo fracturado no gume da despedida
Disfarço as convulsões e espasmos de dor que me silênciam a voz
Ergo-me da cama quente do teu corpo.
Não quero que me sigas! Não quero que me vejas esfarrapado.
Parto como um traste parte, quebro-me como se quebra pedra
Dinamitado
Localizadamente
Rebentando de uma só vez
A engolir o meu próprio estrondo
Para que ainda tenha uso, cortado, fragmentado, por inteiro.
Deslizo sem palavras, sem gestos, sem promessas, sem ti
Sem passos ruídosos, cerrando o véu tecido das tuas saias.
Sem te beijar em despedida.
Agasalhado com trapos, seguindo cuidadosamente,
Por entre a chuva de nuvens,
Na estrada de piso endurecido
Soerguendo o corpo estilhaçado
A rasgar as costas para que delas surjam asas
Por querer disfarçar o peso dos passos moribundos
Sem te despertar.
Parto apenas por agora
Voltarei, sabendo colar novamente os meus pedaços
Despido de choros, sem cicatrizes de dor, de pele mais macia
Voltarei, absoluto do meu retorno negando a despedida
Renascendo ao teu lado
Como quem acaba de acordar.
(Não saí de partida)
Publicada por Artur à(s) 6:48 p.m. 2 comentários
Amigo imaginário
Compreendi que tinha um amigo imaginário estava eu a sentir o calor abafado do chão a queimar as primeiras chuvas de Agosto. A temperatura e a humidade tornava tudo tão desagradável que só queria encontrar uma porta por onde pudesse fugir apressadamente. Nesse momento apercebi-me de que poderia sair desse estado incómodo aprofundando um estado superior, mais perfeito, mais onírico. Rebelei-me e parti para outra dimensão, longe do que não suporto, afastando as despedidas, as marmanjices dos empregados de café, a antipatia da tipa da máquina de fiambre, os problemas inesperados, as contas, o calor abafado das chuvas de verão, a escassez de tempo, as imposições sociais, politicas, fiscais, burocráticas, a barba que nunca deixa de crescer, as unhas que nunca deixam de crescer, os kilos a mais, as dores de costas, as torradas queimadas, o estar farto de empresas de arqueologia, os Domingos áridos, o facto de nunca estar onde quero estar, o nunca ter tempo para nada, o tempo que passa sempre a correr, e todos os pequenos desajustes da vida que me fazem praguejar pontualmente.
Fartei-me de tanto aborrecimento e pedi ao meu amigo que resolvesse tudo por mim, que suportasse estes aborrecimentos. Ele não se negou, aprendeu até a queixar-se por mim.
É realmente soberbo descobrir um amigo imaginário em nós, que se dedique ás tarefas de formiga e nos permita fugir da regularidade, que nos deixe andar de braços erguidos a tocar o céu, ou a dimensão harmoniosa a que apelidamos céu.
E ainda agora, o meu amigo está ali ao lado a fazer a mochila da penosa viagem, que ele vai fazer por mim, enquanto que eu fico onde estou, a escrever, a viver só as partes boas.
Publicada por Artur à(s) 6:14 p.m. 2 comentários
sábado, agosto 07, 2004
Agradecimento
Os poucos mas optimos textos que me deixaram aguçaram-me um apetite de inventar um local onde quem quisesse pudesse escrever sobre tudo e sobre nada
Obrigado e repitam por favor
Foi um momento agradável
Publicada por Artur à(s) 11:22 p.m. 0 comentários
Dedicatória
Estou a imaginar esses caracois negros, desgrenhados, a esconder dedos a procurar respostas.
É lá que as escondes não é? Sempre suspeitei. Pareceu-me ao ver-te praticar nas fronhas das almofadas.
Xerife de cigarro no canto da boca, a esfumaçar, a esfumaçar as folhas enroladas com veneno de nicotina. Mocho de olhos arregalados, a tornar os oculos ainda mais pequenos, a pigarrear diminutivos e interjeições inpercéptiveis.
Fascina-me quem te ensinou a andar. Esse bipedismo caracteristico faz-te parece ser mais gracioso entre as árvores a roubar maças, não percebo se a terra te treme debaixo dos pés, porque por vezes tenho a impressão de que andas em pulos desordenados, descoooordenado, cabeça para a frente, braços caidos para trás, pescooooço a puxar o resto do corpo. Um gato a quem cortaram os bigodes.
Agora imagino-te a perder a atenção com um ramito que boia no rio. Imagino-te a passar o dedo pelas linhas que te alimentam essa tua fome de esgravetansos, de pedaços de arte que suspeito terem sido elaborados inconscientemente por homens despreocupados, impulsivamente, para que alguém como tu as viesse mais tarde pensar entre caracois negros, arvoredo capilar onde também eu me escondo.
Pois agora tenho-te diante de mim, como sempre, com aquele pedaço de roupa desfraldado, a meter um "zinho" no meu nome, de cigarro na mão, olhar esgazeado, o ombro, julgo que é o direito, levemente descaído, a subita interjeição, as palavras apaixonadas, a pressa de estar noutro sitio qualquer, irrequieto como sempre, eu já preparado para te abraçar, pois quero deixar aqui uma pequena dedicatória à nossa amizade.
E espero que continues a ter aquele sarcasmo mais corrosivo que a lexivia.
(claro que me lembrei daquela cave onde liamos poesia e lavavamos cerâmica com decoração flutuante)
Olha Nós,
Mindsliding
Oh Elsa
Oshipimãopão
vipititapalispis
nãopão
caios modestinus
Pois eu também tenho a certeza, e agora?
Publicada por Artur à(s) 10:59 p.m. 0 comentários
Pesadelo,
Terrivel Terrivel
Sonhei que me haviam roubado os lápis de cor
Publicada por Artur à(s) 7:16 p.m. 0 comentários
domingo, agosto 01, 2004
Pedido de retribuição
Peço a quem por mero acaso, ou por sinistra curiosidade vem visitar este espaço, que retribuia com um texto, próprio ou recolhido, e deposite nos comentários, ou até mesmo no meu mail (artmiserra@hotmail.com).
Seria agradável poder chegar de fim de semana e ter algo para ler.
Este é um pedido raro e excepcional na natureza do POST TERGUM. É endereçado a todos! Têm liberdade plena, e estão isentos de avaliações.
Publicada por Artur à(s) 10:47 p.m. 3 comentários
Abraço-me
Grito
Rasgo o ventre o céu feito de terra
Leito que não me deixa ser
Grito
Estás dentro de mim
Chama insaciável da minha carne
Renasço aos elementos
Grito
Violentas-me sob a pele vegetal
Parto de longe a ver-me sucumbir
Aos teus braços que esmagam
Que moldam cinzas
Tecem vida
Grito
Amordaçado de dor
Escancarando os pulsos
A tentar morder a forma
Debatendo-me
Caio
Levanto-me
Homem novo
Abraço-me o corpo
Receptáculo da Tua Luz
Abraço-te em mim
Publicada por Artur à(s) 8:27 p.m. 1 comentários
sábado, julho 31, 2004
Ausência temporária
Há momentos em suspensão
Há momentos de abstracção
Em que nos escondemos dentro de nós
Em que reduzimos o nosso tamanho
Em que partirmos numa procura
De sala em sala
Timidamente!
Timidamente, por detrás de cada porta
Espreitando quem anda pelas divisões
Reservando-nos o privilégio de entrar
Invisiveis.
Sem Ninguém nos ver- Sorrimos
Até que nos perdemos dentro de nós
Claramente Invisiveis
Publicada por Artur à(s) 6:25 p.m. 0 comentários
Restart
Introduzam-me coordenadas
X Y Z
Programem-me os movimentos
Y-34 X-23 Z-1.754
Apagem-me a memória
0000000
Apagem-me as lágrimas
Restart
Rebout
End Program Now
Insiram software
Retirem-me os plugins de sentimentos
Quero o meu corpo pesado de plástico leve
Mais X Y Z
Quero-me à tua vontade
Vou servir-te até que te doam os olhos
Anti-Virus
Sistema de refrigeração
Corrector ortográfico
Uploads, Upgrades, Firewalls
Apagem-me as lágrimas
E dêm-me uma tecla de DELETE
Publicada por Artur à(s) 6:03 p.m. 0 comentários
Dissolvimento
Eu declaro-me horrível
Sou uma sopa enxaguida, repugnante.
Sou o escarro no meio de uma boca apodrecida
A exalar, a vomitar, a provocar
Sou o que Quase Consegue Ser, mas não Sou
Um esquiço de mediocridade, agoniante,
Parca monstruosidade, insulto inócuo à Vida.
A disfarçar, a trepanar, a sufocar
Sou o filho enjeitado de um homem odiado
A insipida gonorreia de uma mulher que odeia
O rubi semi-precioso, indefenivel dejecto odioso
Sou o gorgulho áspero entre as paredes da garganta
Liquefaço-me como uma epidemia, sou a espada que canta.
Organicamente, Lipidamente
AIII!!!! Ergo o mundo contra uma parede
Afio a lâmina no meu corpo viscoso, e virulento, e exangue,
Vomito SANGUE, Vomito SANGUE
E Expungindo o meu lado linfático,
Vou Cantando abertamente pela noite.
Metendo nojo, a loucos, a sóbrios, aos sólidos,
Causando asco, sobretudo, a sombras e reflexos de espelhos. (Muito calmamente)
Publicada por Artur à(s) 3:31 p.m. 2 comentários
sábado, julho 24, 2004
Anunciando o avanço do Paraíso sobre o Apocalipse
Nas franjas da Babilònia, nas costas de Meca, ou nos parques infantis de Jerusalém ou noutro sitio qualquer, podendo mesmo ser na próprio andar de cima, ao lado, ou andar debaixo
Os punhos cerrados e o sangue a subir, vital. O estado de caos a crescer, como um vicio. A respiração fértil em escalada, o aviso. Chega o arauto, pelos olhos a rebentar de côr uivando entre as paisagens incendiadas, percutindo labaredas com a sua língua encarnada, rasgando na carne, na pedra, no metal, nos espiritos ansiosos por indulgências, chicoteando visceralmente os anjos rotos de preces com ondas espinhosas, saturnais.
Comem-se palhaços maquilhados de risos e gargalhadas, queimam-se tendas de variedades. Pisam-se pessoas pequenas com os pés grandes amputados, esmagam-se pinguins e homens de fatidiotas como dentes de alho para barrar numa longa e gigantesca fatia de pão torrado, rufa a tarola para mais um número de circo apresentado por um macaco estropiado de toda a sua vida selvagem. E mais ainda, foi castrado. Puseram-lhe um chapéuzinho turco a encimar a falta de racionalidade.
Pintam-se putas, umas ás outras, depois de mergulhadas as mãos nas placentas dos filhos abortados, esfregando-se umas ás outras, rindo hilariantes e agudas por entre estolas foleiras e lábios desmesuradamente maquilhados, beijando-se umas ás outras, saltando para cima de clientes com rabo de porco, saltando de dentes e unhas postiças, rangendo estalidos entre o exalar de prazeres comprados com horas rotineiras de trabalho mal concebido. Na rua o chulo transpira por debaixo do couro cabeludo marcado por fios de gel extra-fixante e das cacetadas de objectos contudentes que hoje lhe parecem mais dias de chuva. O cabelo é repugantemente seboso e brilha no meio das sirenes que atormentam o sono dos padres católicos, vibrando no ar com propagações de pecado profissionalizado, interrupto, messiânico, a salvar as bermas dos galhos podres e os candeiros de luzes sobrenaturais, candidas.CALA-TE! Os vermes não são os que saem da boca em filmes de terror com poucas soluções mas são as bocas que comem as poucas soluções, trepando mais alto do que os céus azuis onde existe uma portinhola directa para um inferno de pessoas satisfeitas com a sua riqueza pessoal CALA-TE! esfregando as notas e simbolos de poder como quem se barra em merda, criaturas lascivas e despudoradas com apitos enfiados no cu a anunciar CALA-TE! a supremacia da besta sobre o animalesco CALA-TE da resignação sobre a repugnância, CALA-TE! do não me batas, não me batas, sobre, bate-me cabrão a ver se eu não te dou o troco. CALA-TE! Ouve-se o silêncio de um pelotão de fuzilamento uniformizado com uma farda especial, premiada pelos estilistas do regime, muito fashion e com as cores da estação. CAlA-TE! -Dizem-me- Uma modelo desfila perante o corpo furado de balas frias absorviveis e bio degradáveis para não deixar restos CALA-TE! Espalhando sanguessugas no chão CALA-TE! como se fossem migalhas para os pombos CALA-TE! CALA-TE! a lamber aquele liquido capaz de manchar o cabedal de botas engraxadas CALA-TE enquanto em casa a opinião pública bate palmas á telenovela Venuzuelana representada nas masmorras das cidades-prisão, patrocionada CALA-TE! por spots publicitários inúteis à harmonia dos livros cor de rosa, ao canto das pombas, ás ovelhinhas e cordeirinhos a pastar nos campos, ao piar dos passarinhos e ao sorriso feliz das meninas de laçarotes e sardas da infância. Há caixas a gritar palavras, CALA-TE! palavras de ordem e conducta para o mundo de luzes nocturnas, carros e assassinos a acelarar e a espreitar o perigo antes de cada curva. Abrem-se cadafalsos e caem inertes corpos mortos há mais de 10 dias, castigados nas salas de tortura, oficialmente extraídos pelo sistema imunitário, exército de globulos brancos sempre em superioridade aos numerosos vermelhos. CALA-TE! JÁ TE AVISAMOS, CALA-TE!
E vejo o fim, este é o fim.
Arremesso o meu corpo contaminado da janela deste quarto andar, voo a abraçar o chão lá em baixo, aterro sobre a terra dura que nada sente, calada de em contra os meus dentes partidos. Estou morto mas a sentir! Estou silenciado mas a sentir. Vejo-me a mim mesmo de membros esmagados, a sentir, a repousar no solo, boca entreaberta, fracturada. Fiquei surdo com a violência do impacto mas estranhamente oiço tudo numa sala de eco, um local distante, a repousar entre nuvens relaváveis, não se entorne o copo de vinho tinto sobre elas. Desligo o televisor, prometo a mim mesmo que não o volto a ligar e levanto-me.
Convido-te a que venhas comigo.
Publicada por Artur à(s) 3:10 p.m. 2 comentários
segunda-feira, julho 19, 2004
Destino Arco do Cego
Destino Alentejo, destino Évora, destino São Mansos, destino escavações, 4 dias de romano, talvez um mês de Anta, 15 dias sem internet, mas levo caneta e papel.
Destino incerto, 30 anos, 90 kilo, enorme como um urso, duas hérnias discais, um sorriso escondido, voz grave, pelos loiros nas mãos, um gosto pelo que é belo, um gosto especial pelo pormenor, espirito anárquico, pragmático, discreto, procura senhoras divorciadas para satisfazer, socialmente falando. Número de telefone...Agradam-me o Romântismo, o Surrealismo, o Humanismo, Fotografia, Poesia, Boa Música, a Idade Média, os perfumes suaves, um belo petisco, um recanto perdido no meio da natureza, água, toda a água, seja rio, mar, lago, riacho, nascente, chuva, ou suor depois de um dia de trabalho. E novamente água no duche, bem fria. Gosto de sentir, e esse é o meu destino imediato.
Destino, acordar amanhã ás 5 da manhã, tomar o pequeno almoço e um café bem forte, para depois deitar um olhar demorado e silêncioso sobre a saudosa paisagem Alentejana. Destino, mãos calejadas, dores de costas. Destino, um sorriso de felicidade no final do dia, e muito mais tarde, um sono divino numa cama ainda estranha, depois das conversas de reencontro com amigos á procura de novidades.
Mais uma vez despeço-me deste meu vicio, temporáriamente, espero.
O destino para mim é uma palavra, mas atribuindo-lhe o sentido esotérico do costume, se fôr esse o meu destino voltarei aqui.
Não há aí ninguém para me dar uma boleia até ao terminal do arco do cego?
Publicada por Artur à(s) 1:43 p.m. 2 comentários
domingo, julho 18, 2004
INTER VIVOS
Eu sei que tu vais voltar, e quando chegares vou estar com uma expressão ridicula possuíndo todo o meu corpo. Assim por inteiro, tal como te espero, tal como respiro lentamente a fazer contas sobre mostradores de quartzo ou ponteiros convêncionais. Uma expressão ridícula de quem treme por cada passo a encurtar a distância, por cada metro de terra palmilhado com a paisagem a ficar cada vez mais estreita, dissipando-se, até ter somente os teus olhos a procurar nos meus o que não tive coragem de escrever num cartaz gigante, em letras bem berrantes, com o vermelho do meu sangue a ferver, com o azul esverdeado a saltar sobre as cabeças da multidão na esperança torturante de te conseguir ver.
Até à tua chegada, vou deixar tudo no mesmo sitio. O livro sobre a cabeceira, os ganchos de cabelo perdidos sobre os móveis, as tuas palavras sobre o meu colo, as tuas mãos esquecidas sobre a minha pele, o teu perfume escondido entre os odores do dia a dia. Fico à espera que chegues para que possas reclamar tudo o que é teu, para que desorganizes toda a ordem com o fim de a reorganizar com os teus gestos, com os teus movimentos femininos de dedos delicados, espalhando fios de cabelo onde fico preso a sorrir para que me venhas desatar do emaranhado.
Por enquanto faço o meu corpo de firme metal, a propósito de resistir a todas as dores, ás intempéries das recordações, aos vazios a ranger e a esganiçar agudos sons agudos preenchentes de matéria intangível, a acolher os golpes avassaladores das ondas de saudades que amorratam e tudo fazem estremecer em redor, até ti, onde chegam serenas, doces. As minhas células segregam metal até aos pincaros de mim, percorrendo o que tiver de ser percorrido, sem cansaços, sem fatiga, sem hesitar, decididas, ávidas, violentas, imparáveis, demoviveis, sem te poder esquecer. Certas de ti se acercam numa fogueira quase mecânica, pesada, lenta, sincronizada nestas dores de aço a nascer sobre a carne, congelando-me a vontade num processo de fundição perigoso, que me une a ti como se em mim vivesses, sempre. E por mais tentador que se me apresente esta união tão profunda, mais aliciante se constroi a ironia de não te ter ao meu lado, porque sinto a tua falta, porque um punho se cerra dentro de mim e me puxa as entranhas a doer de tal forma que se abrem os olhos e pupilas, abrindo-se num salto repentino para lá dos seus limites, a desfazer o escudo metálico e frio que tento construir. È! È que sentir-te longe de mim também faz parte do que é sentir-te! Esperar-te, è a ilusão de te ter ainda!
Publicada por Artur à(s) 3:34 p.m. 8 comentários
Pequeno Raio de Luz (apenas para ainda crianças)
Cansado deixei cair a noite e deitei a minha cabeça sobre a primeira pedra que encontrei. Abracei-a no frio, enquanto procurava um pouco de calor. Foi então que aquela pedra me falou. E o que ela me contou jamais irei esquecer.
Falou-me de um pequeno Raio de Luz, que nos entra pelos olhos, e nos invade insolentemente. Este Raio de Luz dá, à pessoa que invade, três novos poderes em troca pela hospedagem.
O primeiro poder consta de Super Sensibilidade, o que permite tocar em todas as cores, lamber notas musicais como quem come um gelado, saborear o que nos vêm ao olfacto, adivinhar o nome das pessoas desconhecidas, encontrar sombras a dançar discretamente, perceber as linguagens pelos movimentos, ver tudo o que se escondia, e até é possível abraçar os sentimentos. A pedra contou-me que pode até acontecer que se adivinhe a personalidade das pessoas somente por lhes olhar para a forma como descansam a boca. Por isso inventaram o ditado do "peixe morre pela boca". O que a pedra me contava batia certo.
O segundo poder é a Super Disposição, que nos leva a embarcar em todos os projectos fantásticos, que motiva a saltar da cadeira, torna possível qualquer sonho, que substitui os relógios e nos ajuda a organizar o tempo de forma mais saudavel, acelera ou atrasa os movimentos da terra, põe um homem num objecto voador, põe um homem de cabeça com os pés na Lua, põe a Lua a surgir na noite quando estamos cansados.
Finalmente o terceiro poder! Pois, quem fôr invadido por este Raio de Luz terá o poder da Super Valorização. O homem que tem este poder verá riquezas a surgirem por todos os lados, de todos os locais do mundo chegarão coisas de o deixar boquiaberto, nunca terminarão os tesouros, as ruas estarão cobertas de ouro, os céus de prata, os rios bordejados a rubis, as folhas das árvores acenarão os seus brilhos de jade, os candeeiros alumiarão opalinas e ametistas, as casas serão de fino coral vermelho e platina, os ruídos serão feitos de música, as lágrimas feitas de risos, a chuva sempre reconfortante, o arco-iris ainda maior, os silêncios serão realmente de ouro, as laranjas verdadeiramente de prata, mas para a sede a água continua a ser a única coisa que a mata, só que tudo será mais saboroso, mais precioso, mais intenso, redescobrindo que tudo tem mais valor, não esquecendo o único senão, pois tudo o que é mau será pior, mas tudo o que é bom será muito melhor, e será quase tudo bom.
Descobrem-se, com este Super Poder do Raio de Luz, pequenos tesouros como o calor de uma pedra numa noite fria em que nos enrolamos, para em seguida a ouvirmos, e finalmente, compreender o que se passa connosco para andarmos perdidos no meio do mundo, fazendo cair a noite e a acordar o dia.
Publicada por Artur à(s) 12:41 p.m. 2 comentários
sábado, julho 17, 2004
Renascido no Carmo
Estou sentado numa mesa de café
As árvores acenam os seus ramos ruidosamente sobre Lisboa
A sofreguidão dos dias vai passando por mim apressadamente
O sol de fim de tarde espreita por entre farpas de betão
Os passos dos sapatos de couro são mais perceptíveis
As linhas dos monumentos engarrafados entre a Cidade
Os olhos irrequietos das pombas irrequietas
A empregada de mesa com a caneta a espreitar no bolso de trás
O casal de idosos com pinta de turistas
Todas as formigas que se aproximam por debaixo dos meus pés
As folhas amarelas que caem
O largo onde brincava em criança
Os soldados hirtos no quartel da Revolução
Os que sobem da rua descendente à esquerda
Os que descem à direita para o Chiado
O café forte e quente como eu gosto
O que toca e pede esmola ou um cigarro
Mas por fim nada disto me importa
Tudo isto se passou,
Tudo é uma imagem do passado
É algo que me ficou na retina da memória
Hoje, agora, na mesma Lisboa
Já nada me interessa
Transformei o espaço em redor num vórtice centrado em mim
Recupero todas as forças para somente poder sentir
E finjo como se soubesse mentir
Sou um Idiota sozinho a ver-se no umbigo do mundo
O vento acaricia-me suavemente e tudo em redor é apenas uma espiral
O mundo passa a ser o que existe, somente, interiormente
E sinto por dentro, o toque apenas por dentro,
Viciado numa imensidão, doce, medonha, a sorrir-me,
Não oiço mais do que o centro do mundo, a mover-se, maior do que a vida,
Rodeado por uma revoltosa escuridão, propositada, desejada,
Congelado de movimentos, de perna cruzada sob a mesa, silêncioso
Com as mãos ocupadas, uma caneta e papel, impaciente,
A tinta parece não se esgotar, teima em sair, mas engasgada, desajeitada,
O meu ar mais sério faz de mim um "clown" entre os Johns e Marys .
Num estado de perfeito transe estou fora de Lisboa
Imóvel a correr pelos anéis concêntricos ,
Estou sentado numa rua sem árvores, sem casas, sem cafés,
Não há ninguém em meu redor, nem sequer à minha volta Há alguém,
Estou Só, isolado idiota, nervoso imóvel, confiante na asfixia, de perna cruzada,
Já sem sentir, sem sentir o calor do café que me parece desgostosamente fraco,
Julgo ver tudo desbotado lá fora, como se tivesse crescido Mais
Sou maior, o resto minúsculo, e sobra-me Um Arrepio
Descobri que já não gosto de nada,
Surpreendido, admito que fico surpreendido,
Porque já não gosto assim tanto de tudo,
Porque paro para procurar o que gosto,
Porque o que gosto vive em de mim, no meu vórtice!
Foi assim que fechei os olhos, palpebra contra palpebra,
Desencadiei o silêncio, esfumei o mundo
Passei o carvão deitado, levemente, circularmente sobre a folha
E fiquei no centro, sentado, na mesa de desconhecido.
Assim soube,
Que já não gosto de mais nada!
Hoje, Agora, instantaneamente Agora
Tenho a certeza de que Ontem
No passado, sentia muito menos,
E Amanhã
Vou sentir ainda mais!
Alvissaras
Vou sentir muito mais!
Alvissaras
Vou sentir muito mais!
Porque finalmente consegui parar
Desfragmentei-me
Parei e reaprendi
Parei a sentir
Publicada por Artur à(s) 4:07 a.m. 3 comentários
sexta-feira, julho 16, 2004
PQ
Por onde andarás
Por que passeios, por quais sensações, porque não estás comigo
Porque te demoras, Porque não sou tudo o que desejas ver
Por não ser tudo o que não sou capaz de ser
Porque não te alcanço, Porquê
Por não ter suficiente amplitude no passo
Por não conseguir
Por querer-te sem te ter
Por querer recriar o mundo
Porque exagero para te agradar
Porque sei bem o quanto te quero
Porque não estás comigo..
Publicada por Artur à(s) 9:40 p.m. 0 comentários
Marcha Lenta
Marcha Lenta, Marcha Lenta
Quem quer a Marcha Lenta
Que esta Marcha já cansa
Quem a quer rebentar
lenta, lenta
Porque não se tenta
Façam da marcha uma dança
Quem desepera sempre alcança
Publicada por Artur à(s) 9:21 p.m. 1 comentários
RES PUBLICA- a coisa pública
Vim agora mesmo de ver o clube de jornalistas, programa do canal 2, onde passaram pequenos números de qualquer coisa aberrante decorrida na assembleia da república. Entristeceu-me que ambos os intervenientes neste programa tenham considerado esta coisa "aberrante" como algo de normal, descrevendo-a como uma estratégia politica em desenvolvimento nos últimos dois anos. Estratégia que recorre à agressividade e ao humor.
Pois bem, Durão Barroso ataca e insulta, recebendo da sua bancada ( em maioria ) uma aprovação de palmas estrondosa, algo de óbvio, infelizmente. Francisco Louça, um dos alvos favoritos, defende-se, pois considera estar em causa a sua honra, e tenta manter uma postura respeitosa. Durão Barroso em "nova" resposta repete o insulto com as mesmas palavras exactamente, como quem conta o final de uma piada duas vezes. Ouvem-se as mesmas palmas.
Ferreira Leite ataca ferozmente uma personalidade parlamentar, a bancada bate palmas, e no final do discurso volta a repetir o mesmo insulto, a mesma ideia.
Carvalhas faz uma comparação oportuna do primeiro ministro inglês com uma Avestruz, e em seguida, depois de ter sido chamado à atenção pela metáfora usada, termina por pedir desculpa à Avestruz, animal não humano.
Isto é tudo tão bom e tão bonito que eu não tenho de comentar nada. O meu bom senso fica a boiar num limes, aquele que alguns conhecem, que nos imprime a ideia de que somos loucos e só nós ( ou eu somente ), acabamos por ver o que realmente se passa.
Já não sei se o País está em crise ou não.
Diz-me lá oh meu Portugal, estás em crise ou não?
Talvez se deva tudo ao calor.
Talvez se deva tudo á falta de espaço. Lembra-me de ler uma teoria de um sociólogo que ao fazer experiências com ratos, descobriu que o amontoamento tornava a espécie mais agressiva. Pode ser disso.
Já agora, para finalizar, não consigo deixar de imaginar estes politicos ou esgrimistas, ou Gois ou lá o que eles sejam, a gozarem as férias e o sol na mesma praia, com uma bela bebida na mão, enquanto eu vou escavar e rezar para que me paguem o ordenado atempadamente.
Publicada por Artur à(s) 12:55 a.m. 0 comentários
sexta-feira, julho 09, 2004
Tarjonnassa pääpaino talvikohteilla
Metsänomistajat tuovat tällä hetkellä tarjolle talvikohteita. Kysynnän epätasapainosta johtuen harvennusleimikoista on ylitarjontaa. Verouudistuksen lähestyessä leimikkotekijöiden vuoksi talvikohteeksi luokiteltu päätehakkuuleimikko kannattaa hyödyntää. Jos leimikko on korjattavissa kelirikkokelpoisen tien varteen, on metsässä vielä pitkään suotuisat korjuukelit.
Hankintapuun osalta myyjän on varmistettava puun menekki etukäteen. Kesä- ja kelirikkoleimikoiden myyntiin ei teollisuuden hyvien varantojen ja nousevan sahatavaran hintakehityksen ansioista ole vielä kiirettä.
Publicada por Artur à(s) 2:26 p.m. 1 comentários
Depois do antigo humor do cego e do moço, a Nostalgia
Há tempos para rir e tempos para agir
Há tempos para fazer humor e tempos para fazer alguma coisa
Ser sarcástico é ser cobarde, é esconder a face por detrás de uma palavra
É mais fácil destruir do que construir.
Há tempos para desmistificar e tempos para erigir
Ser critico é estar atento, mas porquê ficar sempre a Ver?
Por isso já mandei vir, por catálogo, um revolucionário imovível dos seus principios.
Escolhi um sul americano, por serem mais aguerridos, e estive quase para preferir um zapatista.
Quando ele chegar, carrego-o na tomada e liberto-o no meio da maralha.
Espero que ele tire o Santana Lopes do governo, espero que ele tire o Governo do Governo,
que arme toda a abstenção de armas, que comande a marcha das tropas descontentes para tingir a
assembleia da Républica de sangue vermelho Lusitano. Recuperaremos Olivença, instigaremos a revolta na
Galiza, exalteremos o nome da Liberdade, Gritaremos um grande e uníssono: BASTA!!ESTAMOS FARTOS DESTA PASMACEIRA!
ESTAMOS FARTOS DESTA RÉPUBLICA DAS BANANAS, ESTAMOS FARTOS DESTA DEMOCRACIA. ESTAMOS CANSADOS DE CAMINHAR ACORRENTADOS AO LODO!
Este meu revolucionário vai lavar o País.
Não haverá propinas, não haverá casos de nigligência nos hospitais. Ninguém voltará a dormir na rua por não ter tecto. As crianças terão direito a leite nas escolas, os teatros serão subsidiados pelo País, a dupla tributação acabará. O alentejo voltará a produzir como antes, e acabam-se as quintas para caça, improdutivas na sua maioria.
Os livros serão mais baratos, os artistas serão protegidos das editoras, os agricultores serão protegidos dos comerciantes e os consumidores também. Vamos ensinar cada trabalhador que o seu trabalho é uma missão, e que se a sua produtividade fôr superior à de um enginheiro, então pode auferir um pagamento maior do que este último.
Quem não pagar os impostos verá todos os seus bens expropriados e será PROIBIDO de conduzir qualquer actividade empresarial. A cultura será o unico foco de nacionalismo bem acolhido. Os velhos não passarão fome, os novos não passarão por vazios intelectuais, os pedófilos serão todos presos e sujeitos aos trabalhos mais duros, os farsantes serão expostos em Público, a justiça será igual para todos, as leis afectarão todos da mesma forma.
Vai-se acabar o "Deveria ser assim mas na práctica não é",
vamos terminar com o "este país é uma merda", este é o nosso país, seremos nós a moldá-lo
As escolas e as universidades terão lugares para todos os alunos, não voltará a chover nas salas de aula,
haverá computadores suficientes, os professores serão avaliados, os alunos estarão mais bem preparadas, e faremos do "português" um adjectivo de qualidade. As relações entre trabalhadores e patrões serão promovidas, os sindicatos serão revidos e o seu papel será fundamental para a valorização do papel do trabalhador assim como da importância do seu trabalho. Poderemos reduzir os impostos nos combustiveis e nos imoveis para habitação caso estas medidas resultem. Não teremos burros a puxar em sentidos divergentes, antes trabalharemos todos no mesmo sentido, melhorando o nivel de vida de uma comunidade com a mesma língua materna.
A palavra "BASTA" não será mais necessária!
Mas depois como somos um povo saudosista e romântico, com tendência para o sofrimento, voltarei a fazer nova encomenda por catálogo, só que nessa ocasião requisitarei um ditador, daqueles bem temiveis, e voltaremos á situação em que vivemos num ápice. Com sorte talvez tudo piore um pouco mais. Voltaremos a ser enganados, e novamente seremos estropiados dos nossos direitos. As leis funcionarão apenas para os "pequenos", os que não podem pagar. Voltaremos a fazer vénias aos tipos de oculos escuros e mercedões. Voltaremos a fazer humor como grandes instigadores que somos, porque ser sarcástico é uma qualidade, e sentados na nossa cadeira acabaremos por nos limitar a ver o trabalho sangrento e destemido do revolucionário querido a ser desfeito.
Publicada por Artur à(s) 12:27 a.m. 4 comentários
quinta-feira, julho 08, 2004
O CEGO E O MOÇO
Um cego andava pedindo esmola pela mão de um moço; a uma porta deram-lhe um naco de pão e um bocado de linguiça. O moço pegou no pão e deu-o ao cego para metê-lo na sacola, e ia comendo a linguiça muito à sorrelfa. O cego, desconfiado, pelo caminho começa a bradar com o moço:
– Ó grande tratante, cheira-me a linguiça! Acolá deram-me linguiça e tu só me entregaste o pão.
– Pela minha salvação, que não deram senão pão.
– Mas cheira-me a linguiça, refinado larápio!
E começou a bater com o bordão no moço pancadas de criar bicho. O moço era ladino e disse lá para si que o cego lhas havia de pagar. Quando iam por uns campos onde estavam uns sobreiros, o moço embicou o cego para um tronco, e grita-lhe:
– Salta, que é rego. O cego vai para saltar e bate com os focinhos no sobreiro. Grita ele:
– Ó rapaz do diabo! Que te racho.
Diz-lhe ele:
Pois cheira-lhe o pão a linguiça,
E não lhe cheira o sobreiro à cortiça?
Teófilo Braga, Contos Tradicionais do Povo Português
Publicada por Artur à(s) 3:49 a.m. 0 comentários
El Sol y la Luna
Julia Grajales Bilbao
7 años. Octubre de 1998
Hace mucho tiempo, vivía el Sol, que estaba jugando en la playa.
Juntó y juntó espuma del mar y se hizo la Luna.
Jugaron y jugaron... y dijo la Luna:
¡No puedo estar aquí, porque en el día me derretiré!
Entonces se despidieron.
Las lagrimas de la Luna son las estrellas.
Las lagrimas del Sol son las nubes.
Publicada por Artur à(s) 3:38 a.m. 0 comentários
Dados para adultos...
Datos generales de la Luna
Distancia media de la Tierra 384352 Km.
Diámetro aparente máx. 33' 51''; min. 29' 22''
Magnitud de la Luna llena a distancia media -12,7
Inclinación de la orbita respecto a la eclíptica 5º 09'
Excentricidad orbital 0,0549
Velocidad orbital media 3680 Km./h.
Diámetro 3476 Km.
Volumen 0,0203
Masa 0,0123
Densidad 3,34
Velocidad de escape 2,4 Km./s.
Valor de la gravedad 1/6 de la terrestre
Albedo (potencia de reflexión) 0,073
Datos generales del Sol
Distancia media de la Tierra 149.6 millones de kilómetros
Diámetro 1.4 millones de kilómetros
Masa 330,000 veces la masa de la Tierra
Valor de la gravedad 28 veces el equivalente a la terrestre
Publicada por Artur à(s) 3:34 a.m. 0 comentários
Histórias para crianças...
El Sol y la Luna
"Supongo que todos nos preguntamos porque el sol sale de día y la Luna de noche.
La Princesa Luna cada vez se sentía más triste y aburrida. Nada la hacía reír y su corte de estrellas no sabían que hacer o decir para que no se sintiera tan abatida.
- ¿Pero que te ocurre, por que no nos lo dices?- Le pregunto la Constelación de Orión.
- Ay, no lo sé- respondía Luna y se sumía en un profundo silencio.
- Quieres que te haga un té, que te prepare unos bizcochitos-
- No, no si no tengo ganas de nada. Solo quiero estar sola.-
Cuando al fin se quedo sola se tendió en su cama y se puso a llorar desconsoladamennte.
Tenía tantas ganas de conocer el amor y nadie la entendía. Pero es que no había nadie en todo el reino que la hiciera feliz.
- Así no podemos seguir, todos sabemos lo que le ocurre a la Princesa, hay que buscar algún príncipe para que nuestro reino pueda seguir adelante. Ella es el futuro y necesitamos a algún príncipe apuesto para que reine junto a Luna.-
- La única solución en enviar mensajeros a todos los reinos del universo. Y no solo como hemos estado haciendo hasta ahora que solo buscábamos en reinos colindantes.-
Así lo hicieron y las grandes estrellas partieron en un viaje hacia lo desconocido en busca de ese príncipe.
Pasado un año empezaron a llegar los mensajeros con los príncipes que habían encontrado y conforme llegaban iban siendo recibidos en audiencia por el rey y la reina.
La princesa desde otra sala observaba a los príncipes y cada vez su disgusto era mayor ya que ninguno le convencía lo más mínimo y eran rechazados.
Cuando ya había perdido todo interés, entró un príncipe rubio que resplandecía toda la sala, la princesa se quedó impresionado al verle y se enamoró al instante. Entonces puso todo el interés en ver que hablaba con sus padres:
-Majestad, me llamo Sol y vengo de un pequeño sistema Solar, donde doy luz a nueve planetas.
- Bienvenido, y es una pena que hayas venido de tan lejos, pero es que buscamos algún príncipe de alta alcurnia. ¿Y vos que le podríais ofrecer a mi pequeña?
- Yo lo único que le puedo ofrecer es amor y el abrazo cálido de mis rayos. Además tendrá el cariño de mi principal planeta.
- ¿Y sois el único que dais calor a ese sistema?
- Si, Majestad yo soy la única estrella que ilumina mi reino.
- Papá, Mamá, puedo hablar.
- ¿Qué queréis hija?
- Creo que ya he elegido a mi príncipe. Elijo a Sol.
- Pero, es un reino muy pequeño. No serás feliz.
- Y tu que sabes, Papá. Creo que seré feliz a su lado. Por favor presentádmelo.
Los reyes pese a su opinión contraria así lo hicieron. Y estuvieron hablando durante mucho tiempo y con el tiempo se fueron conociendo más y más hasta fijar la fecha de la boda.
- Tienes que pensarte bien si quieres estar conmigo. Yo sé que te quiero. Pero en mi reino debes trabajar duro. Es muy pequeño y todo el trabajo lo hago yo. Yo ilumino a cada uno de los planetas de mi reino y tu tendrás que hacerlo por la noche a uno de ellos.
- No te preocupes por mí. Quiero estar a tu lado y resplandecer cada noche con tu luz para que los habitantes de ese planeta tan bello del cual me hablas me vea y pueda guiar a los viajeros que caminen a esas horas.
Así lo hicieron y después de la boda se trasladaron al Sistema solar y desde entonces el Sol ilumina de día y la Luna refleja la luz de Sol por la noche.
Son muy felices con el paso de los tiempos aunque solo se ven unas pocas horas al amanecer cuando ambos se cruzan en el camino. Allí se miran y en sus ojos se ven todo el amor que se profesan.
Fin"
Publicada por Artur à(s) 3:16 a.m. 0 comentários
terça-feira, julho 06, 2004
Terceira Morte consecutiva
ACABOU!!
A poesia secou nos bigodes e nas bicas de imperiais
SECOU
Publicada por Artur à(s) 1:47 p.m. 1 comentários
Carne
Carne rasgada ao vento
espalhando vermelho carne
pois de carne sucumbimos
e é da carne que sentimos
saudades na nossa carne
Publicada por Artur à(s) 5:22 a.m. 0 comentários
segunda-feira, julho 05, 2004
nesta tristeza
Tenho retalhos de palavras eternas guardadas num fechar de olhos
São palavras tuas que guardo profundas
"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros se calam mas tu não"
E Tenho-te em mim porque me surges em sonhos
"Com uma tão simples claridade sobre a testa"
Porque te soube Grande, sem medos, Viva no meio dos vivos
Porque deixaste a brisa de um leve bater de asas
Anjo destruídor da ignóbil realidade enganadora.
"Servindo sucessivas gerações de príncipes"
Deixaste ensinamentos afastando os medos do tempo
"Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça"
Lembrando que...
"O meu país sabe as amoras bravas
no verão."
Acima de tudo, deixaste-me esperança,
Muito mais para dias como este
Dias de perda e lágrimas!
"Tive amigos que morriam, amigos que partiam
Outros quebravam o seu rosto contra o tempo.
Odiei o que era fácil
Procurei-te na luz, no mar, no vento."
E Encontro-te nessa esperança de luz
Com que disseste
"Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos"
As rosas
"Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Publicada por Artur à(s) 11:27 p.m. 1 comentários
sexta-feira, julho 02, 2004
Tango
recuso-me a fugir
eu sou a maré nua que transporta a madrugada
como se fosse uma criança
Fingindo-se adormecida no paraíso
rindo irónicamente
a areia fez de mim uma montanha
uma montanha de leveza dos sentidos
segundos preciosos nas horas impiedosas da paixão
absoluto com o desejo incubado
a tremer no meu corpo de madeira polida,
nos cabelos longos de uma mulher jovem,
a ser castigado, como se um homem fosse
Mas Tenho dentes fortes
Basta-me um pequeno gesto,
Abrir a janela,Tingir o céu vazio,
levantar a voz estirada no chão
e com sede existir,
aproximar-me a passos largos,
conseguir o término da relutância
e Abrir a janela ao elemento fundamental
eu sou
eu sou o que transporta a madrugada
quando me treme a voz
sou a criança que quer demasiado
rindo no colo de uma flor
Tango...
Publicada por Artur à(s) 2:13 p.m. 2 comentários
terça-feira, junho 29, 2004
...
Este é caminho que sinto
É o Pergaminho que escrevo,
É o Palimpsesto triste, rude nos seus contornos esborratados,
de letras mal desenhadas com a tinta dos meus pensamentos.
É o texto que cresce até ser maior do que Eu na minha voz interior
onde os meus mundos se constroem delicados sem procurar uma ordem [Gramatical].
Este é o caminho que levo
É a marca na pele macia,
É aquele que procuro gravar com beleza de gravura
Epígrafe profunda, imperfeita, sobre este espirito enrijecido,
Eterna e esquecida pelos que há muito tempo não sabem Violar o meu dever intelectual.
E no meu corpo passado escorrem letras
Sem ser necessária a folha ou a força do pulso
Sem pronunciar uma ordem cronológica
Sobrepõem-se disfarçando a dualidade do invulgar
ilusão de beleza do meu sangue
Pelo meu corpo
Sem ser necessária a folha ou a força do pulso
Publicada por Artur à(s) 6:16 p.m. 1 comentários
Capitalismo Sentimental
Comprei uma boa duzia de pequenos potes de compotas especiais.
Dentro de cada um deles está conservado em calda licorosa com gelatina
Um sabor com as caracteristicas próprias de determinado sentimento.
Possuío desta forma, doze sentimentos adocicados disponiveis para barrar no pão.
Considero que fiz uma boa compra! Os dias que correm fazem-se apressados no meio da multidão
Até os relógios sofrem esgotamentos nervosos do tal atordoamento causado pelas horas e técnologias de ponta.
Hoje não há tempo para sentir! Vão sobrando menos linhas na Agenda Diária, trocando nesta gesta sabores por labores, labores sem sabores, sabores a labores, sabores só com labores, ou sabores mediante labores, labores, e labores, e produtividade dos labores. No fim não restam os tais tempos disponiveis para sabores.
Daí que considerei ser oportuno a compra desta pequena colecção.
Além disso, tempo é dinheiro, e a facilidade com que posso utilizar este meio de saborerar sentimentos
irá garantir uma redução de perda de minutos preciosos, assim como de maçadoras preocupações, rentabilizando e maximizando as capitalizações dentro da minha macro-economia.
Tudo através do simples gesto de barrar uma das doze geleias numa bela fatia de pão caseiro, ou mesmo numa tosta Belga. E para vos dizer a verdade, já estou a pensar numas torradinhas especiais.
Tenho a anunciar-vos, com grande alegria, que estão para sair brevemente uma gama de compotas especiais com sabores Orientais, compotas especiais "LIGHT", assim como compotas especiais para crianças com sintomas de nigligência dos 3 aos 10 anos de idade, sendo que o MacDonald's está receptivo a introduzir estes sabores nos seus gelados.
Eu já comprei! E Você?
Então porque espera?
Publicada por Artur à(s) 8:25 a.m. 0 comentários
TENHOEMIMDEUS
Meteram-me a mão nas algibeiras,
e aí não encontraram nada...
Enfiaram-me o punho no coração,
e aí não encontraram nada...
Abriram-me os pulmões, onde também
Não encontraram mesmo nada...
Esvaziaram-me os olhos, e no fundo
Não encontraram nada...
Sou feito de Nada
Tenho Nada para vender
Nada para Dar
O Mundo é um grande NÃO
O Tudo uma nulidade
O Todo uma negação
NÃo
...NÃO
NÃO...
Digo Não porque sou feito de Nada!
Publicada por Artur à(s) 8:11 a.m. 0 comentários
No sorver dos dias
Estranha forma de Sentir,
Transporto esta estranha forma de sentir
Carregando-a dentro de mim na solidão dos meus passos.
Que estranha forma de Viver,
Procuro a mais estranha forma de viver
Nas salas escuras onde sempre se partem os meus braços.
Que estranha forma de dizer,
Não me canso da vida enquanto esta morte me der prazer
Publicada por Artur à(s) 7:49 a.m. 0 comentários
quarta-feira, junho 23, 2004
Sim sim, eu conheço-te!
A felicidade de ter a tua mão ao alcance da minha
De ver no teu rosto conhecido as semelhanças que carrego no meu
A emoção de ouvir a tua voz conhecida sem ruídos telefónicos
Resulta num crepúsculo de palavras que nunca irás ler
Porque não nasceste tão curiosa como eu minha irmã
Mas venho aqui dizer que não estás nem diferente nem igual
Continuo a conhecer-te minha irmã e vejo em ti tantos rostos
Os rostos que guardei ao ver-te crescer
Tu que és minha filha
Minha mãe
Minha irmã
A minha primeira Amiga
Conheço-te tão bem quando procuro dentro meu Amor
Publicada por Artur à(s) 11:41 p.m. 3 comentários
....impressões digitais
Viajo por entre os filamentos das tuas impressões digitais.
Repito a frase porque sei o que digo!
Viajo por entre os filamentos das tuas impressões digitais marcadas no vidro do meu corpo feito transparente só para ti.
Queres ver mais? Respira sobre mim o teu sopro quente espalhando em indivisiveis e minusculas particulas sob a forma de vapor de água segurando em seguida a ponta da manga da tua camisola sobre o punho para que possas esfregar este meu vidro e pede três desejos quando um deles seja de desejos ilimitados e deixarei de ser espelho como sempre me assemelho e poderás ver o que está dentro de mim.
Encontrarás grandes círculos e ondulações das tuas impressões digitadas no coração do meu epicentro como linhas que suportam Planetas e Sóis flutuantes migalhas da minha vida estilhaçada pelos choques traumáticos das paragens cardíacas causadas pela tua simples forma de olhar.
Mergulha nos espelhos de água onde se agitam imagens tuas que guardei para sentires o calor com que as vivi mergulha nelas para te molhares no meu amor escondido por detrás de um frágil Vidro.
Parte-me esta estrutura silíciosa em fragmentos que por certo vão desaparecer nas marés de água libertando imagens dispersando-se em outras goticulas que em contacto com a tua respiração se vão recriar em novas gotas de vapor que formando uma nuvem quase invisível se deixarão cair sobre a surficie do teu corpo.
Então as goticulas de vapor vão viajar por entre os filamentos das tuas impressões digitais, por entre os filamentos de toda a tua pele, procurarão os teus póros para ficar pacientemente ansiosamente e ávidamente a aguardar que tu RESPIRES.
Publicada por Artur à(s) 1:24 a.m. 3 comentários
terça-feira, junho 22, 2004
Ssss...
Nos dias que correm
Aprendo a soletrar todas as palavras
Saboreio-lhes as sílabas e acentuações.
Caminhar para elas sem nunca ter partido
É o jogo que jogo, contra o vidro já partido,
É a terra que enterro, jardim de emoções,
è saber soletrar todas as palavras
Nos dias que correm
Procuro
Ergo-me da cadeira do sossego
Estendo os ruídos dos ERrres e EfeSs
Agito árvores que me pedem silêncio
shhhhhhhhhhhh...
E uma serpente suspira ao ouvido
SssssssssssssTu me usasses como uma palavra...
Se a maçã que mordo não fosse verde!?
Os meus dentes não sentiríam a sua seiva
A minha lingua não ficaria presa no sabor acre
As frases não sairíam entre dentes
Dir-te-ía palavras com as mãos,
Assim como em cada vez que te toco,
Quase gaguejando, como eu ando, Imbecil.
Não pela hesitação,
Não!
Muito menos por não saber o que dizer!
Eu quis alargar todas as letras
Rrasgando-as na minha garganta
Arranhando como quem escava
Mas não lhes coube o que te quero dar.
Volto soletrar palavra a palavra
Porque nos dias que correm, Tudo
me parece menor! E o quanto me Enerva
Pensar, Sempre a mesma frase, SEMPRE
...:
"Se tu soubesses"
Publicada por Artur à(s) 6:56 a.m. 0 comentários
Meditatio
When I carefully consider the curious habits of dogs
I am compelled to conclude
That man is the superior animal.
When I consider the curious habits of man
I confess, my friend, I am puzzled.
Ezra Pound
Publicada por Artur à(s) 3:59 a.m. 0 comentários
Nos recantos da Lua
To the Ocean now I fly,
And those happy climes that ly
Where day never shuts his eye,
Up in the broad fields of the sky
There I suck the liquid ayr
All amidst the Gardens fair
Of Hesperus, and his daughters three
That sing about the golden tree:
Along the crisped shades and bowres
Revels the spruce and jocond Spring,
The Graces, and the rosie-boosom'd Howres,
Thither all their bounties bring,
That there eternal Summer dwels,
And West winds, with musky wing
About the cedar'n alleys fling
Nard, and Cassia's balmy smels.
Iris there with humid bow,
Waters the odorous banks that blow
Flowers of more mingled hew
Then her purfl'd scarf can shew,
And drenches with Elysian dew
(List mortals, if your ears be true)
Beds of Hyacinth, and roses
Where young Adonis oft reposes,
Waxing well of his deep wound
In slumber soft, and on the ground
Sadly sits th' Assyrian Queen;
But far above in spangled sheen
Celestial Cupid her fam'd son advanc't,
Holds his dear Psyche sweet intranc't
After her wandring labours long,
Till free consent the gods among
Make her his eternal Bride,
And from her fair unspotted side
Two blissful twins are to be born,
Youth and Joy; so Jove hath sworn.
But now my task is smoothly don,
I can fly, or I can run
Quickly to the green earths end,
Where the bow'd welkin slow doth bend,
And from thence can soar as soon
To the corners of the Moon.
Mortals that would follow me,
Love vertue, she alone is free,
She can teach ye how to clime
Higher then the Spheary chime;
Or if Vertue feeble were,
Heav'n it self would stoop to her.
John Milton
Trecho retirado de "A MASK (Of the Shame)"
Publicada por Artur à(s) 3:31 a.m. 0 comentários
segunda-feira, junho 21, 2004
Anais Nin
"For an hour you were me, that is the other half of yourself. What you broke, burnt, and tore is still in my hands. I am the keeper of fragile things and I have kept of you what is indissoluble."
Publicada por Artur à(s) 5:19 a.m. 0 comentários
Rilke
Ranier Maria Rilke
"Everything is gestation and then birthing. To let each impression and each embryo of a feeling come to completion, entirely in itself, in the dark, in the unsayable, the unconscious, beyond the reach of one's own understanding, and with deep humility and patience to wait for the hour when a new clarity is born: this alone is what it means to live as an artist: in understanding as in creating.
In this there is no measuring with time, a year doesn't matter, and ten years are nothing. Being an artist means: not numbering and counting, but ripening like a tree, which doesn't force its sap, and stands confidently in the storms of spring, not afraid that afterward summer may not come. It does come. But it comes only to those who are patient, who are there as if eternity lay before them, so unconcernedly silent and vast. I learn it every day of my life, learn it with pain I am grateful for: patience is everything!"
Cara
Viareggio, (Itália)
23 Abril, 1903
Tradução: Stephen Mitchell
Publicada por Artur à(s) 4:48 a.m. 0 comentários
Fecho os olhos...
si asa um tivesse
pa voa na esse distancia
si um gazela um fosse
pa corre sem nem um cansera
anton ja na bo seio
um tava ba manche
e nunca mas ausencia
ta ser nos lema
ma so na pensamento
um ta viaja sem medo
nha liberdade um te'l
e so na nha sonho
na nha sonho mieforte
um tem bo protecao
um te so bo carinho
e bo sorriso
ai solidao to'me
sima sol sozim na ceu
so ta brilha ma ta cega
na se clarao
sem sabe pa onde lumia
pa onde bai
ai solidao e un sina...
Ausencia
(Cesaria Evora)
Publicada por Artur à(s) 4:24 a.m. 0 comentários
sábado, junho 19, 2004
Na Força dos Rios
Cavam leitos que alteram no lento passar dos tempos a face da paisagem por onde serpenteiam.
Inventam regiões ou mesmo Países, condicionam homens nos seus costumes, circunscrevem línguas.
Constroem Praias, Estuários, deslumbram-se ao erguerem surpreendentes Deltas
A força dos Rios inventou Barcos, contruíu Pontes, edificou Barragens.
Os Rios escrevem Textos, transportam Sonhos, barram Guerras, promovem Herois.
Fingem-se adormecidos e alteram toda a face da monotonia.
Assim se justifica, brevemente, o Fascinio que lhes tenho. Os Rios não têm pressa, sabem mais do que o Tempo, não se regulam pelas horas. Não desistem e continuam em marcha, sobrepondo-se a todos os obstáculos. São anjos que deslizam num pequeno sussurar cheio de vida, cintilando mesmo no meio da noite. E chegam sempre ao seu destino, a não ser que apareçam uns "Espanhois" a reclamarem o seu direito de anterioridade.
A força do Rio só se esbate na possessividade de um espaço governado, espaço este que existía anteriormente a qualquer "Espanhol".
E para quê? Para neles despejarem lixo, o resto das suas vidas apodrecidas. Esta é a forma de matar um Rio, esta é a forma de o poder entristecer, esta é a vingança capaz de barrar o seu caminho!
Publicada por Artur à(s) 5:53 a.m. 0 comentários
quarta-feira, junho 16, 2004
O Velho e o Gato
Certo dia, Estava um Velho muito Velho, e um Gato ainda pouco Gato, Jovenzito,
estavam ambos a jogar ás cartas.
Um deles estava prestes a perder Tudo
O Outro começava a habituar-se a Ganhar
Um, silêncioso Já tinha perdido quase Tudo
O Outro, estava Sempre a Miar
Publicada por Artur à(s) 11:36 p.m. 0 comentários
A Temp-Shtade e o Pára-Raios
Abotoadura de Carmin
Dez Lápis de Cera
Pára-raios devagarinho.
Velas de Rosmaninho,
Canelas desnudadas
Dez razões faladas
Uma fonte solitária
Mata-se-sede nascente.
O diabo crescente,
Uma lente que diminui
Suspiro que aumenta
Já a cerca não aguenta
Quebra-muros á cinzelada.
Enche-se de tudo o nada,
Folhas de rebuçado
Pó de arroz queimado
Dez colheres de xarope
Enquanto de tudo se entope
Nus-braços Da Madrugada.
Publicada por Artur à(s) 8:28 p.m. 0 comentários
terça-feira, junho 15, 2004
Monsieur Ali
GRAND MEDIUM - VOYANT
MONSIEUR ALI
Résoud tous vos probèmes même les cas désesperés: Désenvoûtement, amour, affection retrouvée, retour immédiat de la personne que vouz aimez, Spécialiste de voyance amoureuse.Reconnu comme l'un des meilleur voyant. Proctection contre les dangers, chance et succés au examens, concours, entreprise, commerce.
____________________________________________________
Travail Sérieux - Facilité de Paiement
REçoit tous les jours de 9h à 21h au:
131, rue des Poissoniers 75018 Paris (Bât.C2è Pte Gauche)
Métro: Ligne 4 et 12- Arrêt Mercadet- Poissonniers
TÉl: 01.42.58.20.10 ou 06.21.18.15.78
__________________________________
Ne pas jetter sur la voie publique
Publicada por Artur à(s) 12:26 p.m. 4 comentários
segunda-feira, junho 14, 2004
Mais uma razão para continuar a Escrita(/História)
Many died daily or nightly in the public streets; of many others, who died at home, the departure was hardly observed by their neighbors, until the stench of their putrefying bodies carried the tidings; and what with their corpses and the corpses of others who died on every hand the whole place was a sepulchre.
Extraído de Boccaccio, Decameron,. M. Rigg, trad. (London: David Campbell, 1921), Vol. 1, pp. 5-11
Influênciado pelo seu século(XIV d.c), Boccaccio descreve brevemente uma das maiores tendências do seu tempo: A Morte. As vidas eram perseguidas pelas pestes, as ruas cheiravam a pestilência e se alguém espirrava encomendava-se a sua alma. Era o fim do Mundo.
Os vivos conviviam com cadáveres mais do que conviviam com vivos. Esta imagem de sinistralidade faz lembrar a concentração de mariposas mortas que se amontoam junto do fogo. E houve quem realmente se rodeasse de fogo como que para queimar a senhora de negro, ou quem dormisse com bodes no quarto, quem se cobrisse de grossas roupagens, quem inventasse mascaras para filtrar o ar, muitos procuram uma forma de iludir a fatalidade.
A Europa acordava todos os dias ciente da sua morte. Todos os dias, independentemente da idade, da profissão, do sexo, numa vulnerabilidade equalitária.
O que me impressiona verdadeiramente não é a angustia da morte, ou o número absurdo de óbitos. O mais louvável é a vontade dos que permaneceram vivos, que continuaram a trabalhar dia após dia, sabendo que quase por certo não existiria amanhã. Lavraram, apanharam lenha nos coutos, amassaram pão no moinho comunal, rezavam-se matinas nos mosteiros, copíavam-se livros decorados de iluminuras e letras desenhadas cuidadosamente, erigiam-se monumentos de arquitectura deslumbrante, tocava-se musicas nas Feiras, amava-se ás escondidas, contavam-se histórias sobre o paraíso, as meretrizes amealhavam dinheiro nas tabernas. A morte tanto tolhia como excitava a imaginação dos mais resistentes, e aquela idade denominada Idade das Trevas, que Boccaccio representa com a imagem de um gigantesco sepulcro, está cheia de riqueza, que eu me atrevo a chamar de Inocente, como que realizada por crianças imaginativas sem certeza de presente.
Deixaram-nos um futuro brilhante e reforçaram a vontade de continuar contra todas as probablidades.
Tudo isto me faz pensar nos conceitos de sociologia que me ficaram do ensino secundário. " O homem é um animal Social!", e mesmo perante a ameaça da morte do índividuo, ou do vizinho do lado, esta nossa espécie continua a trabalhar negando, recusando, o seu próprio fim. O Homem é também um animal Histórico, necessitando escrever o seu presente na consciência de vir a ser passado, um animal Político, relegando secretamente o desejo de mudança ás gerações vindouras, e um animal Passional, pela forma como se entrega á sua escrita (Histórica, Política, Social, etc), pela circunstância em que encarna o espirito de missão.
Publicada por Artur à(s) 3:22 p.m. 0 comentários
O velho e o Gato
O Velho.
Maria com o corpo magro e frágil do seu filho inerte nos seus braços de mãe.
O Velho. Mais magro que Cristo, numa nudez sumida de músculo, imaculado de branco cal, vendo que nele não se distinguíam veias, nenhuma, pois tem o sangue diluído como a tinta que sai de um pincel para a água, perturbou-me!
Choquei contra ele assim, quase na mesma posição que encontrei Cristo nos braços de Maria, só que o Velho estava suspenso no ar e de olhos arregalados, tão arregalados que impressionavam. Não tinham paz! Firmemente rigidos como todo o seu corpo frio, fixos como todos os seus braços que de tão magros pareciam os mais longos que vi. Olhos revoltados e quase vazios, escondendo apenas um pequeno tremulo da mais doce inocência.
Como Cristo, a nudez da sua pele era tão impressionante como bela, era forte e também frágil, era triste, tristemente triste. O ancião não disse nada, julgo que já não sabia sequer falar. Afigurava-se-me apenas um anjo branco carregado pelos seus filhos ainda mortais. Pareceu-me uma imagem tão pura que se fez dolorosa.
Tigrado.
Os olhos delineados por um grosso traço negro brilhante, e duas esferas como garras a fitarem o velho. Lambia o seu pêlo brilhante mesmo de frente para o corpo ressequido, orgulhoso da beleza que mostrava ao mundo. Aliás, nada era mais importante que a sua felina beleza, tudo o resto não era mais do que tudo o resto. Estava ali um belo gato jovem, com jeitos de malandro e vadio, acenando a cauda para uma quase vida, despreocupadamente, insolentemente, como qualquer jovem gato, inocente por ser belo. Nada de extraordináriamente invulgar!
Por momentos, creio que o velho branco e o gato tigrado cruzaram olhares, o principio e o fim anteciparam-se ao meio, como que antipodas admirando-se mutuamente. Assim ficaram o gato e o velho por instantes. O velho foi-se embora no seu trono de braços, o Gato foi roçar-se provocante pelas arvores de pernas dos transeuntes.
Publicada por Artur à(s) 11:31 a.m. 0 comentários
domingo, junho 13, 2004
Um paquete junto ao Rio
Ontem, já de noite, estando eu no banco de trás do carro que passava junto ao Rio Tejo, percorria de olhos deslumbrados os brilhos artificiais da nocturna humanidade. A ponte 25 de Abril enfeitada de luz, assim como alguns edificios das margens que barram o caminho á água, iluminava o céu com a sua silhueta elegante e metálica, fornecendo o melhor cenário para um paquete ancorado no Rio. Um paquete também ele cheio de luzinhas a tremer sob a vigília das horas tardias.
A velocidade dos traços e brilhos lançaram-me em mais uma viajem ao recordar aqueles filmezitos que via aos Domingos, retratando viagens fabulosas de Barco. E aí estava eu a viajar de Barco, num gigantesco Paquete, forrado de personagens interessantes e caricatas, preciosas para engrossar com páginas de papel a nossa ávida imaginação. Apesar de me parecer que estaria inserido num ambiente declaradamente Burguês e Aristocrático, a verdade é que nada disso importa, tendo mesmo o seu quinhão de Romântismo.
Um escritor, duas mulheres verdadeiramente geniais que vão dominar a acção, médicos, empregados de roupas brancas, gaivotas, enginheiros vindos de uma empreitada em África, um repugnante e políticamente correcto Politico, senhoras recatadas, senhoras acesas, crianças incautas no meio do convés, a brisa sempre fresca, senhoras de botins e vestidos Victorianos com chapéus desmesurados de tamanho e opulência, os musicos de uma banda, Smokings, fatos de gala, o D. Juan, polozinhos brancos de risquinha na gola, calções bem engomados e vincados, bebidas numa cadeira de praia, o capitão de barba Perfectly Shaved pescou um troféu com que arrancou as palmas dos passageiros, um jovem casal insinua-se discretamente sem que os seus respectivos conjuges deixem de desconfiar de Flirt, fitas com triângulos coloridos e musica por todo o lado. Pequenos almoços indispostos, Jogging, leituras de jornais internacionais, conversas que saltam de língua em língua, Alemão, Inglês, Francês, os Italianos e os Espanhois falam sempre mais alto que todos os outros! Empregados indianos, latinos loiros e morenos de cabelo ensebado de gel brilhando mais que os cromados do Navio. Uma grafonola, e Maria Callas. Todo o Navio a dançar num final próximo de um musical, surgindo cenas á parte em que os casais enamorados se encostam ao mar, escondendo os seus diálogos no rugir do Oceano, e resolvem finalmente casar para ter muitos filhos, voltando a acção para o musical dançado, novamente a uma cena de desfecho, e assim sucessivamente, equanto que um Senhor distinto e simpático de Lunette dependurada, comenta com o capitão os agradáveis episódios passados a bordo.
CENA FINAL: O Navio chega ao Porto onde tinham contratado uma série de figurantes para receber a nave branca ofuscante de luzinhas no meio do Rio. Todos estavam entusiasmados e eufóricos com a sua chegada. Tanto os tripulantes como os passageiros do Navio sorríam acenando para a mancha de multidão. Estendía-se a passadeira e um grupo irrequieto de marinheiros saía do Paquete vindo não se sabe de onde, amarrotando os seus uniformes de encontro aos braços das jovens que os esperavam em bom Porto.
Está feito o meu filme de Domingo!
Publicada por Artur à(s) 3:15 p.m. 0 comentários
sábado, junho 12, 2004
Não consigo concentrar-me na leitura a ouvir estas vozes na minha cabeça...
Lá em cima, mesmo por cima das nossas cabeças, os planetas marcham desalinhados com as suas toalhas de praia.
Recusam-se a desempenhar as mesmas orbitas que sempre descreveram seriamente. Contudo, afectados pela subita vaga de calor que vai assolando a Via Láctea dos nossos séculos, estes planetas calçaram chinélos, vestiram umas bermudas coloridas, e de toalha ao ombro foram para a praia. Mandaram um email a Mercúrio a avisar que chegaríam em breve, inquirindo pelas melhores praias. Afinal de contas, ninguém melhor que Mercúrio para saber qual a areia mais macia ou quais as melhores ondas.
Já Urano prefere uma praia menos quente e com melhores "vistas". A sua pele branca é muito sensivel e andou a amealhar aneis para agora poder esbanjar numa praia cheia de miudas de tez morena. Urano preferiu naturalmente as indicações de Vénus.
E lá vão eles apressados na sua marcha de toalha ao ombro, com o restante Universo a segui-los de arrasto, me pompa e circunstância por entre as estradas de poeira astral, percorrendo o espaço profundo, espalhando a desordem, estravazando uma boa disposição que os alheia das morosas orbitas tão sucessivamente repetidas.
Uma marcha desalinhada á procura de uma brisa marinha.
...beep beep, sai da frente Saturno, seu empata, domingueiro!!!
Publicada por Artur à(s) 2:42 p.m. 0 comentários
sexta-feira, junho 11, 2004
Que génio-louco sou eu?
Encontrei esta pequena brincadeira num blogue amigo.
Tenho habitualmente a presunção de ser louco, no meu interior social, mas abstenho-me e distâncio-me da genialidade por incapacidade. Contudo, a curiosidade é sempre maior do que uma ervilha e lá fiz o teste para ver com que personalidade Louca e Genial me assemelho mais.
Tenho de referir dois resultados pois hesitei em algumas respostas, sendo que no primeiro teste Antonin Artaud foi a vitima atribuída para modelo de comparação, e seguidamente, depois de alterar as minhas escolhas anteriores, surgem-me aqueles bigodes brilhantes do Dali.
Não há nada como um teste destes para nos engrandecer, e quem sabe auto penitênciar-nos perante o mundo pela nossa conducta pessoal.
Faça você também Que
gênio-louco é você? Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia
Publicada por Artur à(s) 8:39 p.m. 0 comentários
terça-feira, junho 08, 2004
O Milagre Dulciferante
...Uma luz meiga atravessa as nuvens para incidir sobre a transparência exposta de um jardim esquecido logo a seguir á primeira Feira despoletando este milagre dançado...
De uma volta cresce outra volta
Num rodopio dançado de frenesim
Lançando-se em crua antifonia
De anjos de mármore cansados.
De uma volta nasce nova volta,
Rangendo mundos ao torcer do tempo
Roda Viva aspirando loucura
Mordendo quiméricas revelações.
Alongando as noites
Estendem-se as manhãs como tapeçarias coloridas
Desenham-se novos motivos
Para sobre eles Dançar nova dança.
De uma volta cresce outra volta
Num rodopio de conceitos idilicos
Que se desfazem contra a luz ténue
Revelando a máscara da diafanidade.
Desprendem-se os espaços
Deslizam preces opiáceas pintadas de magenta
Iluminam-se os vitrais superfluos
Para que o nada renasça irisado
Na revolta da dança síncopada
Quebrando em milhares de vidros cortantes
A ténue limitação da verdade
Erguendo-lhes um prodigioso leito...
Para que os anjos de mármore se libertem
Dêm voltas, contravoltas, rodopios
Dançando sobre a mais pura simplicidade.
Para que a sua pele pétrea e cansada
Renasça nos golpes agudos de luz contida
Ganhando feridas mortais, de sangue quente.
Eis o milagre:
Os anjos puderam desprender-se dos pedestais,
Agrilhoados estavam como em prisões apodrecidas
Subservientes á sua perfeição,
Castigados pela sua rigidez
Como águas estagnadas no meio das correntes.
Os anjos que beberam a luz, esticaram asas
E abraçaram o paraíso da imperfeição
Os anjos de peito e costas rasgadas
Dançam ás centenas no segredo dos jardins esquecidos.
Rodopíam sobre o seu passado de pedra.
Publicada por Artur à(s) 7:40 p.m. 0 comentários
quinta-feira, junho 03, 2004
A tosse manipulante
Continuamente o meu corpo salta em espasmos violentos e repentinos
Sobre o colchão.
Contorso-me sobre a caixa toráxica como que para restringir as pequenas dores aflitivas, mas de novo os pulmões enchem-se até quererem rebentar para se esvaziarem em raiva tussida, aliviante. O cansaço ganha espaço, agiganta-se.
Perturbado, procuro a posição correcta para poder enfim descansar. Nada parece ter resultado contra a enfermidade para além das minhas forças. O cansaço junta-se á irritação, á convulsão, aos espamos sucessivos e os meus dedos cravam-se na cama para que esta tenha pena de mim.
Levanto-me.
Tento inventar uma cura milagrosa, daquelas que ouvimos falar aos velhos sábios de colchões massacrados.
Duas voltas depois, resigno-me e volto ao campo de batalha. Caso o leite quente com mel não dê resultado, assim como as duas colheres de charope bem cheias, vou esperar que o corpo ceda erguendo a bandeira da derrota perante este exército desonroso que me ataca o sono.
Já desisti de acordar cedinho para os colóquios que vão decorrer sobre Carlos Seixas, aqui na cidade de Coimbra. Será esta a minha maior dor, fantoche que sou perante este mal que me corroi por dentro!
5.58
Publicada por Artur à(s) 6:42 a.m. 0 comentários
terça-feira, junho 01, 2004
Dia Mundial da Criança
Celebrando o dia da fecundidade humana, evito referir-me aos rebentos menos felizes, porque infelizmente ou vergonhosamente, não deixam de existir, fugindo-lhes porém na expectativa de que tal como a igualdade na Democracia, um dia, possam existir somente crianças felizes. Esperemos que ambas não sejam meras utopias.
E falo de politiquices, assuntos de adulto, propositadamente. Depois de tanto ouvir por aí, que temos uma criança dentro de nós, creio que seria bom propôr um Dia Mundial da Criança que Há Em Ti.
Agora para todos os que não deixaram morrer verdadeiramente a vossa criança, imaginem o gozo que sería.
Afinal de contas, a estatura não é assim tão importante!
Ainda em elaboração tenho outra proposta: O Dia Mundial Sem Gravata No Escritório. Adivinho uma ampla adesão a esta celebração.
Estranhamente, os adultos tendem a esconder as verdades mais simples do seu âmago sob processos que todos conhecemos e me excuso a comentar hoje.
Publicada por Artur à(s) 11:21 p.m. 0 comentários
A força da Representatividade
Resoluções definitivas são imagens de interrupção abruptas!
Constrangedoras, são choques violentos e premeditados.
São acções com as quais julgamos Universos inteiros em diminutos segundos
Nos quais pesamos Universos inteiros em diminutos segundos.
Se por vezes nos pareça que "definitivo" é algo inexistente,
estas resoluções devem ser sempre tomadas como tal.
Então compramos um dicionário e vivemos na floresta das definições.
Nas quais pesamos Universos inteiros em diminutos segundos
sacrificando-os á interpretação meramente simbólica,
simplista, convencional, Escrita.
Publicada por Artur à(s) 1:53 a.m. 0 comentários
Saí para tomar Café na Praça
Hoje saí de casa deambulante pela noite
Imiscuindo-me de negro nas sombras
Brilhando de negro na luz artificial da cidade
Os carros subíam e descíam como riscos apressados
Todos deslizando numa folha de papel com História
Eu continuava sempre a andar no mesmo sentido
Sempre em frente, sempre para onde queria ir
Onde o mais importante era mesmo andar
Percorria Coimbra respirando o ar nocturno
Com as folhas verdes a libertar uma aura fresca
Feliz por andar, por dar ao corpo o que me pede
Tudo em mim ganhou automatismos musculares
Tudo se contraía em força e descontracção
Escolhi um ritmo interrompido somente,
insconstantemente, agora, aqui, e, ali também,
pela irregularidade dos passeios.
Até que por fim cheguei a um local ermo
Vislumbrei a urbe exibindo electricidade
em tons de verde, amarelo, vermelho
em publicidade, candeeiros de rua, e mais
Tornando-se difusas na linha do negro
Contra elas se insurgíam copas de árvores
Com ramos de folhas negras quase inpercéptiveis
Por lapso a Lusa Atenas fez-se uma ilha
E o mar para além dela rugiu tão atraente
Que não me apeteceu mais parar de andar.
E ainda ando, por aí perdido,
Enquanto a noite pintar de negro a copa das árvores.
Publicada por Artur à(s) 1:20 a.m. 0 comentários
Descansar: Dispersar o cansaço
O ar tornou-se rarefeito para além de poluído
Cresceu-me o desejo sem jeito sem ser ilusão
Abri braços de mão em mão, abraçei-te desconhecido
...o que por vezes mete medo
...é quase certo hesitar
...não fosse alguém viver por mim...
Fiz-me ao leito do mar no meio das gotas de sal
Aprendi de novo a respirar como cura milagrosa
Deitei-me numa concha cor-de-rosa,
Descanso! Descanso sem quem me façam mal
Publicada por Artur à(s) 12:35 a.m. 0 comentários
Reflexos Esporádicos de Fraqueza Passional
O poder que tens sobre mim
abate-se do alto nos momentos em que estou mais só, em que estou mais triste
Nesses instantes respiro a súplica muda de uma palavra, porque basta uma palavra, a mais simples que tiveres para mim, a mais banal que te sobre de um dia comum para mim
Sempre aconteceu sem que o soubesses!Basta uma palavra tua que troco por todos os braços que me tocaram a pele nua
Escondo o meu amor de ti mas tudo continua
Tal como na hora já incerta
Em que pulsando em arqueantes inspirações
Deixei "Esquecida" a porta aberta
(........sem dormir
... )
Publicada por Artur à(s) 12:00 a.m. 1 comentários