Se a minha vida se tornasse num filme a sério, e subitamente me fossem diagnosticados somente mais 5 minutos de vida...
o que faria? O que poderia suceder de derradeiro em tão escasso tempo? Talvez o suficiente para terminar um cigarro.
Finalmente, vou deixar de fumar. Será o meu último cigarro. Adeus, Ó grande malefício.
Agora, mais do que o que devo fazer, Em que devo pensar? Em alguém ou em algo? Em alguém certamente, ou em muitos outros, ou apenas em mim. O mais certo e imediato é pensar na morte que está prestes a empurrar-me do baloiço. Consome-me a ideia de estar Quase, quase a morrer, e estarão passados desde já, um minuto e meio. Merda, isto corre rápido. A vida apressa-se. Chega-me ao juízo a interrogação, algo mais que uma dúvida: Vou gostar mais de estar morto, ou não? E a Morte, que tipo de sensação estará inerente?
Apesar de tantas especulações, o final, esse contudo até o consigo prever em segundos. Um triunfante sorriso, o último do meu masso de sorrisos, porque finalmente vou deixar de pensar. Será esta a minha última expressão!
sexta-feira, agosto 05, 2005
5 MINUTOS
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quarta-feira, julho 06, 2005
Não à volta que é para Diante
A volta é sempre para trás
Soltai-me, quero ir adiante
Também nasci com dois pés
Mas o passo é sempre errante
Venho a arrimar caminho
A estrada é o meu alimento
Deixa de ser homenzinho
Cresce neste movimento
Não te queiras simplóriozinho
Com orelhas de jumento
Sigo rumo à sorte
Venha o que vier
Sigo sonhos que o mundo
Tem
Recantos, ando morto para os ver
Não me venham com histórias
Que só tem culpa a Velha Senhora
Já não entra na Terra a enxada
Porque hoje a Velha é Doutora
Já não entra na Terra a enxada
A Liberdade ainda demora
Com dois pés eu não posso parar
Contra a inércia aviso-vos já
Estou farto de ouvir dizer
Que só com cunhas se vai lá
Estou farto de ouvir dizer
Que só com cunhas se vai lá
Sigo rumo à sorte
Venha o que vier
Sigo sonhos que o mundo
Tem
Recantos, ando morto para os ver
Publicada por Artur à(s) 4:43 p.m. 1 comentários
SINA D’INDIGENTE
O Homem sem Terra
Poeta sem pena,
Traz os olhos tristes
Da sorte ser pequena,
Da sorte ser pequena,
De tanto caminhar,
Não tem chão não tem nada,
Nunca poderá voltar.
É devedor à Terra
A Terra lhe está devendo
Ao que a terra paga em vida
O homem paga morrendo
Sem escrita, sem lavra,
Sem papel onde vingar
O homem segue andando
Sem ter nada que pagar,
Sem ter nada que pagar
Sabe bem a sua sorte
De quem vive neste impasse
Sem ter Terra que o suporte.
É devedor à Terra
A Terra lhe está devendo
Ao que a terra paga em vida
O homem paga morrendo
(refrão adaptado do cancioneiro Portugês)
Publicada por Artur à(s) 4:16 p.m. 0 comentários
AI Diabo, isto são Homens
Rusga rusga
O diabo não se acusa
Rusga rusga
Ao diabo não foi ninguém
Fusca fusca
Um tiro para o ar
Tomba tomba
Um corpo no chão
Sangue Sangue
Um rio que se arrasta
Chora Chora
O diabo que se agasta
Não há diabo que aguente,
Maçãs podres no paraíso
Não se cativa a serpente
Com gritos e veneno no riso
Cravos Cravos
Nos livros de história
Rosas Rosas
Tenham compaixão
Festa Festa
Que diabo nos resta
Homens Homens
Onde estão os homens
Sobe Sobe
Este alvoroço
Desce Desce
Mais fundo do que o poço
Não há diabo que aguente,
Maçãs podres no paraíso
Não se cativa a serpente
Com gritos e veneno no riso
Rusga rusga, o diabo não se acusa
Tomba tomba um rio de gente
Festa festa, que diabo nos resta
Homens Homens onde estão os homens
Publicada por Artur à(s) 4:13 p.m. 0 comentários
quarta-feira, junho 22, 2005
EternidadE
A eternidade é a pronta ameaça que lanço sobre ti
...
meu amor
.Isto que me preenche faz suceder um doce arrepio em alvor.
É o astro que não se impede de nascer continuamente em mim
como se a pele fosse por dentro
É a carta de palavras infinitas por ter tanto a dizer e
entender, curiosos rascunhos como o que sente quando distante
sem nunca chegar a enviar, angustiante, testemunho
como se nada, tudo, tudo o que és soubesse alguma vez sair-me do punho
com tal esforço desta mão, a minha, que se dobra sobre todo o meu corpo
paralizando-me as pulsações perto da tua boca
sempre que procuro tocar-te de longe
eternidade é mais que o eterno
é uma promessa
que não se apressa porque não tem fim
é um pouco de tudo em quase nada
é o perigo de perder-te renovado a cada instante
temendo-o
antecipando-o
é por fim tornar o fim igual ao inicio
é não dar fundo ao precipicio e amar a queda
.Isto que me preenche faz suceder um doce arrepio em alvor...
como se a nossa pele fosse por dentro
essa é a eternidade que conheço
Publicada por Artur à(s) 10:41 p.m. 1 comentários
quarta-feira, junho 15, 2005
blá blá blá
Penso que vou habitar uma janela com a persiana sempre fechada
coisa mais preciosa a persiana
da Pérsia por assim dizer
a luminosidade que por ela entra vem de qualquer lado
é coisa preciosa
e pode-se espreitar sempre pelos buraquinhos um mundo inteiro
quando na maioria das vezes não o é tão óbvio
pois vá-se lá entender caber o mundo num buraquinho
...coisas da criação
tudo é possivel no meio desta confusão
se unirmos duas pontas de um guardanapo obteremos sempre um triângulo
parece um pouco obtuso mas tende a ser prático
o certo é que o guardanapo tem muito utilidade
especialmente para mim
veja-se que nele escrevo coisas destinadas a serem perdidas
é veículo do destino
o guardanapo
é coisa preciosa
penso que se os dobrasse em triângulos, porque os dobro sempre em quadrados,
teria na minha janela de persianas fechadas muito mais guardanapos escritos
o que me permitiria, depois de qualquer refeição, limpar os bigodes com poesia ou números de telefone de alguém que tinha algo importante para dizer
Publicada por Artur à(s) 2:44 p.m. 0 comentários
Algo Sobre o Amarelo
porque gosto de pianos?
ficam sempre bem onde se precisa de música
substituiria todos os móveis que tenho por pianos
onde guardaria a minha roupa gasta
os papeis que hesito deitar fora
as recordações do dia
as facturas para o i.r.s.
os livros e pacotes de chá
suspenderia pianos na parede
como quadros brilhantes
haveria nessa casa um ranger de madeira presente
que me embalaria o sono na cama...piano
porque gosto de tabaco?
fica sempre bem no meio do silêncio
mas jamais substituiria os móveis por cigarros
é certo
perco-me no modelar do fumo com a forma de sonhos
será talvez um momento para pensar no meio do tal silêncio
sempre com a condição de se estar só
agarrado a um cigarro
à procura da eloquência das palavras
com uma daquelas rodinhas dos rádios antigos em sintonia
seria capaz de fumar durante anos entre paredes com pianos pendurados
para mais tarde retirar os mesmos pianos e ficar com as marcas brancas destes sobre os meus dentes amarelos...paredes
Se me perguntas porque gosto de amarelo
digo-te que na verdade eu gosto é do branco
mas não Só
Publicada por Artur à(s) 2:21 p.m. 0 comentários
luxo
cai-me um sorriso em cima
abre-me ao meio
e fico simplesmente por ali
Publicada por Artur à(s) 2:13 p.m. 0 comentários
loucura
cai-me um raio em cima
abre-me ao meio
e fico para ali num canto aberto em sorriso
Publicada por Artur à(s) 2:11 p.m. 1 comentários
terça-feira, maio 24, 2005
diaporésis
Sempre soube ser feito de farrapos
a que insistentemente denomino por memórias
Mas hoje tenho o corpo feito em pedaços
quase que triturados
quase que estilhaçados
quase que não são vidros mas carne e ossos
partes
peças, das quais nunca me lembro no dia a dia
a não ser por uma comichão ou por um desalento
a não ser por estas dores que me dizem: "estás vivo"
fragmentadas,
comprimidas
Desta vez não é ao que chamo religiosamente de alma
não é a esse estrépito de retalhos que teço lamentos
Hoje esta surge vibrante de tesoura na mão
e também agulha e linha
a cozer
a cozer o tecido destes restos
Tem por dedal a minha cama
Publicada por Artur à(s) 11:15 p.m. 0 comentários
quarta-feira, maio 04, 2005
Madrugada
sonhei que deslizava sobre o tejo como um comboio
sonhei aperceber-me de que a torre de belém é em verdade um navio
como outros tantos navios a cortar as águas
sonhei que a torre arrancava da margem e se fazia ao rio
para navegar
assim como de repente todos os edificios de lisboa não eram mais do que naves
com quilha e leme
e todos partiam para o mar
sonhei que a cidade branca se transformava num deserto
e no meio do deserto nascia um candeeiro
alumiava intensamente os pensamentos de ninguém
pois nem sequer se ouvia o estalar de grãos de areia sob solas de sapatos
era o silêncio o doce que se barrava nos pãezinhos frescos sem fome
deliciado
sonhei que estava abraçado ao candeeiro
para não o deixar partir
recusava-me determinante a que fosse
também ele
um barco como os outros barcos
mas aquele Candeeiro era diferente
alumiava ninguém
tinha medo de parecer constantemente
mais do que aquela tamanha luz aos olhos do mar
sendo assim tão inatingivel
como abraçar um só grão de areia
Publicada por Artur à(s) 10:02 p.m. 2 comentários
terça-feira, maio 03, 2005
Sem Fim Temer
Inspirado na poesia do quase simpático quanto baste João Silveira
a quem deixo o meu obrigado
Do corpo das mãos
Saem raizes
Estendem-se para outras mãos
Formam palavras
Vivem felizes
Se abrem as portas à criação
Do fogo das mãos
Saem rastilhos
Nasce depois da explosão
Uma nova ordem
Uma forma sem forma
A varrer a destruição
O Medo, o Medo é o rastilho
Que nos empurra
Para mundos maiores
De porta em porta perdidos
Onde outros silvam sem nos ver
Estendem-se as mãos ao comprido
Solta-se sem fim o gemido
Solta-se por fim um gemido
NÃO ME BASTA VIVER!!
Publicada por Artur à(s) 1:19 a.m. 1 comentários
sexta-feira, abril 15, 2005
Amarelo
Cada vez é mais notório que o fumo do tabaco se espalha pela casa
Esta casa que eu não habito tão vastamente
Onde nem no tecto deixo marcas tão obvias da minha presença
Publicada por Artur à(s) 4:13 p.m. 1 comentários
quinta-feira, abril 14, 2005
Nota solta 1
Tantas vozem repetem a mesma frase:
"Isto está mau"
Tantos olhos se impacientam a adivinhar o futuro
Já nem há saudosismo
pois o passado é igual ao presente, e pensa-se, o que há-de ser não será diferente
Estamos parados debaixo de árvores que não crescem. Na terra que parece não dar frutos, semeia-se para dar as sementes a comer à bicharada
Também já não há caravelas, ou novas terras por desbravar
O paraíso já só existe nas brochuras das agências de viagens
O mais dificil é compreender o porquê de tudo isto no meio de tantas razões
há algo por detrás da estrutura que não facilita a mudança
porque não dúvido que esta seja desejada
A mudança é o nosso Sebastião!
Publicada por Artur à(s) 3:23 p.m. 0 comentários
terça-feira, abril 12, 2005
Drowning
Vai à solta um gesto.
Despreendido na mais absoluta escuridão, mergulhando em saliva morna,
cristalina como água e o teclar de um piano velho de madeira
Vai rangendo suavemente entre a corrente imparável, maquinal, laboriosa,
Esse gesto girando num cilindro sob agulha de grafonola.
Os tons esverdeados são algas incrustadas em olhos felinos no fundo de um bar
Na mais absoluta escuridão
No centro da textura de trevas
mas com uma réstia de sombras de dedos esticados a tentar alcançar...
o teclar de um piano no fundo de um bar com olhos incrustrados de verde e algas
S.O.S.
Grita a boca de um peixe fora de água
o desespero das guelras em sufoco é um instante de tempo estagnado na memória comprimida
as luzes da cidade eclodem estridentes do lado de fora do vidro
do lado de dentro o turbilhão de imagens cinematográficas nunca anunciaria
o ar tão pesado, impossivel de respirar
Um copo de água...
Derramada sobre um tampo de mesa brilhante a saliva quente escorre do bordo
cai ao lado de uma beata esmagada, uma barata atarefada em fuga, vidros, sobre o soalho imundo de pés e restos de humanos
É o que se encontra nos bolsos
restos de tabaco e uns trocos contados para um pouco mais de alcool.
as guelras dilatam-se sufocantes
põe-se a mão à garganta entre a atmosfera vermelha.
Desde à muito que se faz sentir a tontura
a sede desespera ainda mais
continua-se sem se respirar
Partem-se as asas e solta-se um demónio em nós
o gesto opiàcio invade as púpilas e arcadas dos olhos
solta-se o pause avan..ça...pause
as mãos nos bolsos parecem estar na cabeça
baratas vermelhas em beatas imundas
de meias arregassadas na saliva morna
os olhos veem de dentro dos olhos de dentro
somos passageiros de um corpo incapaz de respirar
vêmos a nossa vida no que sempre faz quotidianamente
sufoca-se sem poder respirar um copo de água
O reflexo no copo é o rosto que parece um gesto
Quem nos disse que para não nos magoarmos basta andar de olhos abertos?
A vida é um compromisso
Abre-se sempre a boca ao sentir dor
Pede-se sempre mais do que conseguimos dar
Respiramos mais do que conseguimos aguentar
Teme-se um copo vazio
Publicada por Artur à(s) 3:49 a.m. 0 comentários
terça-feira, abril 05, 2005
Novo Concerto do BICHO DE SETE CABEÇAS
Associação Abril em Maio, pelas 21.30, e por apenas 5 euros.
Se não vierem espalhem a noticia, divulguem, ou pelo menos visitem o nosso site. Pode ser que suscite alguma curiosidade.
Trata-se de música portuguesa, com influências do popular português, umas gotinhas de muita coisa, e um cheirinho a balada de coimbra.
Venham pois tenho a certeza de que não se arrependerão.
Publicada por Artur à(s) 10:56 p.m. 1 comentários
domingo, março 27, 2005
Tango 2
De onde vem esta dor?
A dor de querer abraçar com a pele, num gemido tenaz e mudo, de olhos fechados, e o desejar soltar a palavra Amor, se amor fosse mais que uma palavra.
Esta dor que nos impele, que nos obriga a respirar antes de agir, sempre doridos de tensão, sempre expectantes, sempre e mais, maior, com mais força, combalidos de vontade, castigados do desespero que é querer, querer, enlouquecer e poder dar, dar tudo o que temos nos lábios..Sobre esta dor, espera-se então não desapontar. Sabemos que não há nada tão perfeito, e por isso teme-se não ter jeito, teme-se o nunca ou o talvez, receia-se a mais estúpida insensatez quando é ela que nos alivia essa tão grande dor, a que nasce dessa ferida, capaz de transformar a vida,
capaz de tudo
Amor
Publicada por Artur à(s) 10:16 p.m.
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Charles Brownson
Em Esmolfe um pedreiro trocava emblemas do Sporting e do Benfica esculpidos em granito pela promessa de favores sexuais de uma jovem. Esta jovem que fizera promessas da mesma índole a um pastor que tinha um certo atraso intelectual, o qual lhe ía adiantando dúzias de ovos na esperança de um isntante de carinho mais intimo.
A jovem lá ía manobrando estas duas almas carentes que pelo vislumbre da carne quente e a pele macia deste diabo tudo dariam. E sabe-se lá quem mais contribuia para este saco sem fundo, para este perpetuar da economia de troca directa.
Publicada por Artur à(s) 3:42 p.m. 1 comentários
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Não há volta. É para Diante
A volta é sempre para trás
Soltai-me quero ir adiante
Também nasci com dois pés
Mas o passo é sempre errante
Cresço a arrribar caminho
A estrada é o meu alimento
Do azar eu cuido sozinho
Uma casa é um tormento
Sinto longe a sorte
Nada muda se não me mexer
Sei dos sonhos
que o mundo
tem
recantos
Ando morto para os ver
Não me prendam com histórias
Que eu não fico por cá
Estou farto de ouvir dizer
Só com cunhas se vai lá
Arrepia-me o Grande Umbigo
Enerva-me a "Velha Senhora"
Vou levar o País comigo
Que agora a "Velha" é "Doutora"
Sinto longe a sorte
Nada muda se não me mexer
Sei dos sonhos
que o mundo
tem
recantos
Ando morto para os ver
Publicada por Artur à(s) 10:20 p.m. 0 comentários
domingo, fevereiro 13, 2005
Chen
Certa vez conheci um homem de 60 anos. Aparentava ser um homem como qualquer outro de 60 anos com aquela estatura baixinha de Português, este da Beira Interior. Mas há sempre algo de peculiar ao indivíduo. Chamava-lhe Chen porque parecia ter saído do circo, aquele palco a que era levado em criança pela quadra natalícia, subornado pelos chocolates-prenda dos T.L.P.
Chen, apesar da sua idade, havia se "amantizado" com uma mulher de 26 anos, gorda e alcoólica, como manda a mais invulgar tradição. Dizia que ainda era homem capaz e lhe "dava" pelo menos três por dia: uma de manhã, uma depois do almoço, e outra à noite, por vezes quando ela lavava a roupa na banheira, cenário que evitei imaginar apesar da descrição pormenorizada. Era de fecto obsceno ouvi-lo falar, apesar das gargalhadas que causava entre o pessoal. Mas o ridiculo estava para chegar na carruagem do insólito. Fiquei a saber que este Chen, antes de se juntar à tal moça, tinha se desfeito de um antigo casamento duradouro através de um negócio. Pode parecer difícl de aceitar, mas ele troucou a antiga mulher por um vitelo. Ao que parece o negócio tinha o valor de 70 contos. Actualmente, perto de 350 euros.
Enfim
Publicada por Artur à(s) 11:54 p.m. 0 comentários